Por Hélder Oliveira Coelho

A vida é como um grande palco. Pelas tábuas tudo passa. A alegria, a tristeza, o drama, a mais profunda tragédia. Pisam as tábuas as primeiras figuras, os bailarinos, os actores secundários, os figurantes… os que nos iluminam, os que fazem subir e descer o pano, e tantos outros que nem sabemos existir. Para o sucesso da peça, são tão importantes as primeiras figuras, como o mais singelo anotador. O caminho do sucesso é ter toda a máquina oleada, com cada um a cumprir o seu papel.

Acendem-se as luzes. Sobe o pano. O estômago enche-se de borboletas e o coração explode em pânico, que rápido se transforma em êxtase. O público é sempre diferente. Pode amar, pode odiar. Se ama, a vida ganha sentido. Se odeia, tudo se desmorona. As massas são voláteis, inconstantes. O sucesso depende de todos, contudo, a primeira figura recebe a coroa de glória, ou a guilhotina da desgraça.

Há tantas formas de pisar o palco como estrelas há no céu. Cada idiossincrasia abre um novo capítulo de interpretação. Há aqueles que, de tão maravilhosos, se excedem e transcendem. Os que por valor, talento, esforço e espírito conseguem suplantar a lei de César e tocar nos corações de cada um.

No palco, como na vida, as palmas e o sucesso são o que mais se deseja para complemento da felicidade.

Aquele que aceita fazer da vida um palco assume para si o papel de vestir as vidas de tantos outros. Fazer rir, fazer chorar, carregar o peso das dores que não tem, esconder a tristeza que possa ter para melhor servir a personagem que vestiu. Quando as luzes abrem e o pano sobe, ele já não existe mais. E, por não existir, as palmas não deixam de ser dele. O sucesso e desgraça não deixam de ser dele. A construção quase esquizóide eleva-o ao plano aceitável nas artes performativas, mas quantas vezes transportado para a vida. Quem sai do palco nem sempre se habitua à cruz de fora do pano, quando não há mais palmas, nem luzes. Pode ser o cair de pano definitivo.

There’s no business like show business…

The butcher, the baker, the grocer, the clerk
Are secretly unhappy men because
The butcher, the baker, the grocer, the clerk
Get paid for what they do but no applause
They’d gladly bid their dreary jobs goodbye
For anything theatrical and why

There’s no business like show business
Like no business I know
Everything about it is appealing
Everything the traffic will allow
Nowhere could you get that happy feeling
When you are stealing that extra bow

There’s no people like show people
They smile when they’re low
Even with a turkey that you know will fold
You may be stranded out in the cold
Still you wouldn’t change it for a sack of gold
Let’s go on with the show

The costumes, the scenery, the makeup, the props
The audience that lifts you when you’re down
The headaches, the heartaches, the backaches, the flops
The sheriff that escorts you out of town
The opening when your heart beats like a drum
The closing when the customers won’t come

There’s no business like show business
Like no business I know
You get word the show has started
That your favorite uncle died at dawn
Top of that your pa and ma have parted
You’re broken hearted but you go on

There’s no people like show people
They never ever run out of dough
Yesterday they told you you would not go far
That night you opened and there you are
Next day on your dressing room they hung a star
Let’s go on with the show [1]

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