Por Carlos Lima

A hemostase, ou coagulação sanguínea, é o processo pelo qual o corpo humano consegue fazer parar uma hemorragia, ou sangramento, e curar os tecidos danificados. Trata-se dum processo químico complexo, em que intervém uma cadeia de treze factores, que se activam uns aos outros — ou seja, o primeiro activa o segundo, o segundo activa o terceiro e por aí adiante — até à formação de fibrina.

O processo de coagulação inicia-se logo após a lesão e, em vinte segundos, já é possível ver alguns dos seus efeitos — como a união das plaquetas [1] em torno das fibras de colagénio expostas pelo vaso sanguíneo lesado.

A agregação de plaquetas [1] liberta substâncias químicas no sangue [2] e inicia a cascata, ou cadeia, de coagulação, que envolve os treze factores de coagulação. Estes factores são enzimas presentes no plasma sanguíneo, que se deslocam para o local da lesão.

A protrombina é uma proteína sintetizada no fígado [3], na presença da vitamina K. Circula inactiva no plasma e é activada pela acção do activador da protrombina, que a transforma em trombina. O activador da protrombina determina os tempos de coagulação sanguínea. A protrombina também estimula a transformação de fibrinogénio em fibrina.

A trombina tem acção coagulante, através da agregação plaquetar, da multiplicação celular e da vasoconstrição ou aperto do vaso sanguíneo lesado.

O fibrinogénio é uma proteína sintetizada no fígado [3]; está presente no plasma sanguíneo [2] e, quando activado, transforma-se em fibrina.

A fibrina forma uma rede proteica de suporte para o coágulo, inicialmente frágil, mas, com o progresso da coagulação, gera uma rede tridimensional muito forte.

Existem aproximadamente cinquenta factores que afectam a coagulação sanguínea — uns, porque contribuem para a própria coagulação; outros, porque a limitam. Assim, temos os coagulantes e os anticoagulantes.

A função do coágulo sanguíneo é temporária, pelo que, ao fim de aproximadamente quatro a seis dias, entram em acção os removedores do coágulo, levando à sua progressiva substituição por células próprias do local lesado. As substâncias anticoagulantes ajudam a manter o equilíbrio e evitam a formação excessiva de coágulos ou removem os trombos que se deslocam na corrente sanguínea.

A doença mais conhecida relacionada com a coagulação é a hemofilia. É hereditária, ligada ao sexo (a mulher transmite-a, mas não sente os seus efeitos). No homem, caracteriza-se pela falta de factor VIII (mais comum) ou factores IX e X (menos comum), o que impede a continuidade da cadeia de coagulação — levando o indivíduo portador a ter hemorragias graves, principalmente a nível muscular e articular. A hemofilia exige a reposição regular do factor em falta, que é extraído do sangue de dadores.

A vitamina K é importante para a produção dos factores de coagulação; ela pode ser encontrada nos legumes em geral — em maior quantidade nos espinafres, couve e brócolos. O cálcio é outro elemento presente na cadeia de coagulação; o seu fornecimento alimentar é conhecido, nomeadamente, através dos lacticínios. As quantidades adequadas de cada um podem ser encontradas numa alimentação variada e equilibrada.

 Saúde!

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