Por Sara Teotónio Dinis

1. Temos um problema em mãos. O que fazer com ele?

Primeiro, é preciso analizar o problema e caracterizá-lo, respondendo classicamente ao quê, onde, quando, quem e como. O estudo da natureza do problema irá depender do tempo disponível para lhe dar uma solução — se há uma paragem cardio-respiratória, não há grande tempo para estudos exaustivos, de tal maneira que se iniciam as manobras de ressuscitação sem saber o que causou a paragem (confiando que, ao mesmo tempo que fazemos compressão cardíaca, haverá alguém a analizar a situação do doente e a excluir causas potencialmente reversíveis); mas, se estivermos perante um caso de edema dos membros inferiores, com o doente estável do ponto de vista clínico, dispendemos algum tempo para estudar a sua origem.

2. O problema está estudado. Tem solução possível e exequível?

Identificado o problema, está na altura de solucioná-lo. A melhor solução será enfrentá-lo ou contorná-lo? Bem, depende, mais uma vez, da sua natureza, da forma como ele nos afecta e das ferramentas que temos em mãos para actuar. Nalguns casos, poderemos ser nós a fazê-lo sem ajuda, mas noutros poderemos precisar da ajuda ou do poder de terceiros.

3. O problema tem solução, mas depende de terceiros. Eles estão abertos à solução do problema?

Se estiverem, com cooperação e empenho, haverá certamente forma de arrancar com o plano de acção e concluir a tarefa com sucesso.

Se não estiverem, ao problema inicial acresce outro e voltamos ao ponto 1., só que, desta vez, com trabalho redobrado.

Epicrise

Só nesta semana, o cenário verificou-se duas vezes: com uma das senhoras internadas, que tem uma síndrome de mal-absorção e não quer comer; e com a ACSS [1], que, tecnicamente, não tem vagas para todos, mas se recusa a mexer um dedo para diminuir o numerus clausus.

Resultado? Desnutrição acentuada para a senhora — e um calendário de escolha de quatro dias e erros na lista de candidatos para os 1548 internos que iniciam a especialidade no dia 2 de Janeiro de 2015 («dê por onde der»).

Aqui estamos, no ponto 1., num enorme déjà vu [2, 3, 4, 5].

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