Por Carlos Lima

O coração [1] é um músculo [2], que precisa de sangue [3] para lhe fornecer energia e oxigénio, para que possa desempenhar a sua função de bombear sangue. Apesar do coração ter no seu interior sangue para bombear, ele precisa e possui um sistema de irrigação próprio, que sai da artéria aorta e não do próprio coração.

As artérias que irrigam o coração são duas e chamam-se coronárias. Definem-se como esquerda e direita, conforme a parte do coração que irrigam. As coronárias têm a sua origem na artéria aorta, muito próximo da válvula aórtica. A origem tão próxima do coração permite-lhes beneficiar da protecção da própria válvula aórtica, que as fecha durante o batimento cardíaco. É quando a válvula aórtica se fecha que a pressão do sangue aórtico, que volta ligeiramente para trás, entra para as coronárias. Este facto permite que a pressão do sangue nas coronárias seja menor; logo, não precisam de ter uma estrutura tão forte como as outras grandes artérias. As duas coronárias ramificam-se e levam o sangue a todo o músculo cardíaco, na chamada circulação coronária. Algumas das ramificações mais pequenas da coronária direita e esquerda, unem-se, dando origem à anastomose cardíaca, ou circulação periférica. Este aspecto assume particular importância quando surgem problemas como o enfarte do miocárdio, vulgarmente conhecido como ataque cardíaco.

Já quanto à recolha de sangue, ela é feita para uma grande veia que leva o sangue até à aurícula direita.

A maior parte dos problemas cardíacos resulta duma deficiente circulação sanguínea. Existem situações em que o débito baixa, ou seja, menos sangue chega às células do músculo cardíaco, porque nas paredes das coronárias vão sendo depositadas gorduras e outros resíduos, estreitando ou apertando o espaço por onde pode passar o sangue. Este aperto faz com que o sangue que chega ao músculo cardíaco seja insuficiente e a célula cardíaca entre em sofrimento. Como a célula não morre imediatamente, sofre isquemia, e torna-se dolorosa — a chamada angina de peito.

Quando existe um obstáculo intransponível, que pode ser um trombo, ou coágulo, o sangue não passa e uma parte do coração morre — é aquilo a que chamamos enfarte do miocárdio, ou ataque cardíaco. Conforme a extensão da área atingida, o coração fica mais ou menos fragilizado. Aqui, a anastomose arterial assume particular importância, pois a circulação passa a ser feita pela outra artéria coronária; contudo, este processo leva algum tempo a estabilizar, permitindo diminuir os danos, mas não os evitando totalmente.

Nesta situação, recorrer tão cedo quanto possível a cuidados médicos vai fazer toda a diferença; e é por essa razão que se criaram as vias de atendimento prioritário para os doentes com suspeita de ataque cardíaco, pois o prognóstico nas primeiras quatro a seis horas é mais favorável. A partir daí, tudo pode acontecer.

O coração bate para bombear o sangue e recebe uma pequena parte do sangue que bombeia, através das artérias coronárias. Se, por qualquer razão, o sangue não chega, o músculo cardíaco entra em sofrimento e pode mesmo parar. Os hábitos de vida saudáveis e uma alimentação equilibrada são fundamentais para uma boa saúde cardíaca.

Saúde!

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