Por Carlos Lima

O rim [1] tem como principal função a filtração das impurezas do sangue [2] e, desta forma, a eliminação das substâncias produzidas pela actividade corporal [3]. Devido a esta função, todo o sangue tem de passar pelo rim; e este recebe entre 20 a 25 % do sangue bombeado em cada batimento cardíaco, ou seja, sensivelmente 1,2 litros por minuto. O rim beneficia dum sistema próprio de vasos sanguíneos [4], em que artérias recolhem o sangue de outras artérias, devido à capacidade que as artérias têm de se contrair e, dessa forma, aumentar a pressão no sangue e obrigar muitas das substâncias a sair para o filtrado renal.

O sangue chega ao rim através da artéria renal, que tem origem na artéria aorta. A artéria renal divide-se em artérias segmentares, que conduzem o sangue até aos lobos renais; aí, dividem-se nas artérias interlobares, que atravessam os lobos renais e conduzem o sangue até ao córtex renal. Entre os lobos e o córtex cria-se uma rede, ligando as diversas artérias interlobares, nas artérias arqueadas. Esta rede anastomótica é determinante no equilíbrio das pressões arteriais que chegam ao nefrónio. A partir deste arco, saem as artérias interlobulares, que penetram no córtex renal, e destas sai uma arteríola aferente para cada nefrónio. A arteríola aferente divide-se num emaranhado de capilares enrolados no glomérulo (aproximadamente cinquenta capilares) e estes capilares voltam a juntar-se, para formar a arteríola eferente. A arteríola eferente vai dividir-se nos capilares peritubulares e, a partir daí, passa para a circulação venosa.

A circulação venosa acompanha a circulação arterial — mas por ordem inversa e sem ter correspondência com as arteríolas aferentes. O sangue do córtex drena para as veias arqueadas e destas para as veias interlobares, depois para as segmentares, a veia renal e, finalmente, para a veia cava inferior, até ao coração.

Como sabemos, o nefrónio é a unidade que faz o rim funcionar e filtrar o sangue. É nele que todo o sistema arterial difere do resto do corpo, pois aqui as arteríolas aferentes ligam-se a outras arteríolas — as eferentes — através dum emaranhado de capilares arteriais. Como a arteríola eferente tem menor calibre do que a arteríola aferente, isto gera pressão e força os líquidos e algumas substâncias do sangue a passar para a parte externa dos capilares, formando o filtrado glomerular. Nesta fase, são formados aproximadamente 180 litros de filtrado por dia, mas o corpo só elimina aproximadamente 1,5 litros de urina por dia, pelo que a diferença entre o filtrado e o eliminado é reabsorvido pelos capilares tubulares para as vénulas tubulares.

O facto de se tratar de duas arteríolas (aferente e eferente), na parte inicial do nefrónio (glomérulo), permite regular e controlar a produção de filtrado: fazendo a constrição da arteríola aferente (reduzir o calibre),a pressão arterial dentro do glomérulo cai e o filtrado é reduzido. Este facto permite regular a filtração conforme as necessidades do organismo e de acordo com a maior ou menor actividade física. É importante não esquecer que o rim filtra os resíduos tóxicos da actividade celular, logo, quanto maior a actividade, maior a necessidade de filtração. Quando é necessário, para evitar a desidratação, a reabsorção capilar é aumentada com a ajuda do sódio [5] e uma maior quantidade de filtrado volta ao sangue.

Outro aspecto da drenagem do rim tem a ver com a drenagem linfática. Os vasos linfáticos [6] estão espalhados em rede pelo córtex renal e seguem o trajecto dos vasos sanguíneos, para descarregar nos gânglios linfáticos para-aórticos.

Percebendo melhor o funcionamento do rim, é mais fácil perceber que a tensão arterial elevada é prejudicial para o seu funcionamento e que o nefrónio entra facilmente em sofrimento, ao ponto de perder a sua função de filtração e reabsorção, quando submetido por longos períodos a tensão arterial elevada, devido à importância que a tensão arterial tem na regulação da pressão dentro do rim. Numa fase inicial da hipertensão arterial, os mecanismos de regulação da hormonal são activados, a constrição arterial é eficaz; depois, o sistema como que entra em exaustão e vai perdendo o controlo da situação, ao ponto da hipertensão arterial ser a grande responsável pela necessidade da pessoa precisar de ser submetida a diálise.

Saúde!

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