Por Sara Teotónio Dinis

Dia 13 de Março, a classe médica é de novo chamada a manifestar-se. Os leitores assíduos deste espaço [1] podem ter reparado que me tenho mantido silenciosa relativamente às questões da «política médica», que têm sido debatidas nos meios de comunicação social.

Tenho acompanhado as notícias com relativa assiduidade, doseando a quantidade de barbárie com destreza, porque o dia-a-dia, por si só, já não é fácil, e, sinceramente, há coisas bem mais agradáveis para fazer do que ouvir tanta ignomínia — especialmente quando ela nos é disparada na altura do dia em que a única vontade é a de desligar a ficha e descontrair.

No penúltimo «Olho Clínico» [2], penso que ficou patente o meu desagrado com o rumo global que o Governo Português deu ao Serviço Nacional de Saúde. Penso também que ficou claro que deve interessar a muita gente derrubar este serviço, dado que as suas aparentes falhas enchem muitos bolsos, por este País fora.

Resumindo, o profissionais de saúde denunciam falta de pessoal e de recursos materiais e desigualdades de acesso dos doentes; e o Governo não só diz que está tudo bem, mas também se vangloria de ter conseguido cortar mais na saúde que o que a troika previra. Os portugueses queixavam-se há muito de que «as coisas estão cada vez piores», mas não faziam bem ideia de quais eram os problemas reais — veio o frio e as gripes e puderam testemunhar in loco a real «eficácia» dos seus governantes. A comunicação social fez a sua parte — exagerou as cores do cenário, acrescentou música trágica de fundo e divulgou a peça.

Na sequência de tudo a que se tem vindo a assistir, a Federação Nacional dos Médicos divulgou o seu pré-aviso de greve [3] no dia 13 de Fevereiro. Todos os médicos são chamados a manifestar-se no dia 13 de Março, no sentido de exigir reposições salariais, concursos públicos para contratos da carreira médica, em detrimento de contratações clientelares, mas, acima de tudo, para exigir a continuidade do Serviço Nacional de Saúde, a preservação do Estado Social e a salvaguarda da dignidade humana.

Mais um dia de greve? Não creio que vá ser eficaz… Penso que urge começar a ponderar outras formas de luta — e depressa.

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