Por Sara Teotónio Dinis

Continuando a exposição iniciada no penúltimo «Olho Clínico» [1], hoje falo-vos de mais duas ferramentas úteis à alma e altamente económicas e acessíveis a qualquer ser humano deste mundo — cantar e dançar.

Cantar

Já diz o ditado que «quem canta seus males espanta» e ao que diz não é preciso acrescentar grande coisa, a não ser que se queira complementar a informação com dados científicos. Wan e colegas resumiram, num artigo de 2010 [2], as provas científicas dos efeitos terapêuticos do canto, destacando-se melhorias significativas no funcionamento respiratório e cardiovascular. O estudo equaciona também a possibilidade do canto diminuir a sintomatologia, em certas condições neurológicas motoras.

Numa publicação da Time de 2013 [3], também se discutem os efeitos do canto em grupo — diminui o estresse e reduz a ansiedade, provavelmente pela libertação de endorfinas. Como acertadamente descreve o artigo, «as vibrações musicais […] alteram a paisagem física e emocional». Serão estas as razões que estão na génese do canto como terapia, como já se verifica, por exemplo, em Londres [4].

Cantar pode ser a solução para ventilar melhor tudo o que vai na alma, mas não se pode, ou não se consegue, cuspir em palavras — sejam desgostos emocionais, ou impropérios contra o que corre mal no trabalho. A caminho de casa, em dueto com os artistas preferidos, ou sozinho, em dueto com o chuveiro [5].

Dançar

Como acto de colocar o corpo em movimento em sincronia com um ritmo específico, dançar não só é uma boa actividade aeróbia, como também estimula a coordenação dos movimentos, a propriocepção e o equilíbrio [6]. A exemplificar estes factos está a prática da dança como terapia adjuvante na doença de Parkinson [7]. Dançar é uma actividade nada monótona — são imensos os tipos de dança à escolha [8].

Para além dos efeitos benéficos para o estado físico, a dança cultiva em quem a pratica o gosto pelo belo e pela apreciação da arte — a que se vê girar à volta de quem dança e a que o próprio criará com a sua dança.

Outro dos seus aspectos benéficos é o seu poder de abstracção da realidade problemática de cada um, pelo que os seus efeitos são objecto de estudo relativamente à patologia depressiva [9]. Sobre isto, escreveu muito bem, imagine-se, a artista Taylor Swift, na sua música «Shake it off» [10]:

I never miss a beat
I’m lightning on my feet
And that’s what they don’t see,
That’s what they don’t see

I’m dancing on my own
I make the moves up as I go
And that’s what they don’t know,
That’s what they don’t know

But I keep cruising
Can’t stop, won’t stop grooving
It’s like I got this music in my mind
Saying “It’s gonna be alright”

No fundo, cantar e dançar são uma lembrança de que, apesar de tudo, ainda estamos vivos e capazes.

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