Por Sara Teotónio Dinis

Volta e meia, em contexto de consulta, acontece:

  1. Os doentes assumirem determinadas atitudes como correctas, mas que são, afinal, descabidas e até arriscadas;
  2. Os doentes esquecerem-se de informações de extrema relevância, cuja falta pode mesmo impossibilitar a realização da consulta.

Dentre as primeiras, destaco:

  • Virem para a consulta em jejum, sem indicação prévia para realizar análises nesse dia. Os doentes adoptam esta atitude na eventualidade de, caso o médico peça análises na sequência da consulta, poderem ir fazâ-las logo de seguida. Esta situação torna-se problemática, quando os doentes têm a consulta a meio da manhã, ou no final da mesma.
  • Não tomarem a medicação da manhã, quando têm de ir fazer análises. Levotiroxina, anti-hipertensores, antidepressivos, entre outros… Podem tomar — e convém que tomem, como sempre fazem.

Relativamente às segundas, sublinho:

  • Os doentes não trazerem os resultados dos seus exames complementares de diagnóstico. Com a informatização dos processos clínicos, os doentes assumiram que qualquer médico, em qualquer lugar, tem acesso aos resultados dos seus exames. Ora, era esta a função que a PDS (Plataforma de Dados da Saúde) devia estar a desempenhar em pleno, mas tal não acontece.
  • Os doentes entregarem ao médico os relatórios e as imagens originais dos seus exames — ficando uns guardados no processo antigo, no seu centro de saúde, e outros no processo antigo, no hospital. Se são dados do próprio, pessoais e intransmissíveis, importantes, e se os doentes são seguidos em vários níveis de cuidados separados fisicamente, por que é que os doentes não os guardam consigo? Isto espanta-me muito.
  • Os doentes não trazerem consigo a medicação habitual. Podem trazer as abas das caixas (onde habitualmente consta o nome do princípio activo, a dose, o laboratório e a quantidade de comprimidos), ou mesmo as próprias caixas, ou então uma guia terapêutica (actualizada, de preferência, pelo médico de família). A ausência desta informação quase impossibilita, por exemplo, as primeiras consultas em determinadas especialidades hospitalares, dado que o médico que toma conhecimento do caso pela primeira vez não tem como saber a medicação que o doente está a fazer, para a ajustar, se necessário. Nas consultas de seguimento, esta atitude continua a ser importante, para o médico avaliar a adesão terapêutica e se certificar da correcta toma dos fármacos por parte do doente (particularmente importante no caso dos idosos com algum grau de dependência, analfabetos ou com défices cognitivos).
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