Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005. Depois de termos tomado o pequeno-almoço, mas não o banho [1], partimos à descoberta de Lila. Tomámos a direcção da Praça da República, na qual, uma vez chegados, vimos dois edifícios sóbrios, mas imponentes. Um deles era o Palácio das Belas-Artes e o outro a Prefeitura. Continuámos em frente pela Avenida da República, até chegarmos à Cidadela, que é um conjunto de fortificações pentagonais, umas dentro das outras, construído quando da tomada de Lila pelos Franceses. Contorná-la a pé demoraria algum tempo, pelo que preferimos alugar uma bicicleta para cada um — e foi montados nos velocípedes que contornámos a Cidadela e visitámos a Cidade Velha, com as suas casinhas de tijolo e ruas estreitas. Infelizmente, a Catedral foi totalmente desfigurada por uma fúria neo-gótica pós-moderna, ou seja lá o que aquilo for — mas que é, numa palavra: horrível.

De novo a pé, terminámos o passeio, visitando a antiga Bolsa, um edifício exuberante, bem no centro da cidade. Na mesma praça, outros edifícios se destacavam, embora nenhum conseguisse ofuscar o da Bolsa. Finalmente, descortinamos a Igreja de S. Maurício, escondida no meio das árvores. Não é que não fosse bonita, mas, depois de passarmos por Amiens [1] e apreciarmos a sua grande e imponente catedral, todas as outras têm dificuldade em impressionar.

Atravessámos a fronteira e, pouco depois, chegámos a Bruges, onde almoçámos num simpático parque, ao pé do Convento do Vinho. Aí, ainda acabados de chegar, começámos a desconfiar de que não estávamos na Bélgica, mas foi só em Ganda que confirmámos que, a avaliar pela língua dominante, estávamos de facto em Espanha. Para que o leitor mais incauto e menos habituado a metáforas não julgue que nos enganámos no comboio, passamos a explicar: os turistas espanhóis abundavam e, muito provavelmente, suplantavam em número os próprios autóctones.

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