Por Carlos Lima

O tacto é uma definição vaga, que se refere à sensação captada pela pele. Permite-nos identificar cinco sensações diferentes: sensações tácteis (toque e pressão), sensações térmicas (frio e calor) e sensações dolorosas [1].

Os receptores para estas sensações encontram-se ao nível da pele e das mucosas, de forma geral, mas existem zonas em que a concentração e a especificidade dos receptores são maiores, as quais, por esse motivo, apresentam uma sensibilidade aumentada, como é o caso da ponta da língua, dos lábios, das extremidades dos dedos e dos órgãos genitais externos [2, 3].

Os receptores são terminações nervosas (neurónios sensitivos) e os impulsos por eles criados são enviados e interpretados no córtex cerebral do lobo parietal.

Para melhor compreensão, vamos dividir a crónica sobre o tacto em três partes. Nesta, falaremos das sensações tácteis; na próxima, da sensação térmica e, por último, sobre a sensação dolorosa.

Por sensação táctil, entende-se a percepção do toque e da pressão. Ambas as sensações são captadas pelos mecanorreceptores [4]. O toque pode ser ainda dividido em toque ligeiro e indefinido, ou protopático [5], que nos permite ter a noção de que algo nos tocou, sem percebermos ao certo onde; e toque fino, ou epicrítico, que é altamente discriminativo e permite identificar o que está a acontecer e onde.

Os mecanorreceptores são de dois tipos: tipo I e tipo II.

Os mecanorreceptores do tipo I estão relacionados com o toque suave. Estão dispostos por todo o corpo, associados aos folículos pilosos, e apresentam maior concentração nas zonas de maior sensibilidade.

Os mecanorreceptores do tipo II estão relacionados com a pressão e estão distribuídos pelas camadas mais profundas da pele. Estão dispostos em camadas, tipo cebola, e, quanto mais intensa for a pressão, mais camadas e receptores são estimulados. Dentro dos mecanorreceptores do tipo II, existem subtipos diferentes de receptores: corpúsculos de Ruffini e corpúsculos de Vater-Pacinni.

Os corpúsculos de Ruffini estão espalhados na pele e nas estruturas mais profundas e permitem identificar a pressão ligeira, mas também a pressão mais intensa, exercida sobre as estruturas mais internas. Permitem identificar a zona de pressão quando, por exemplo, o médico faz a palpação da barriga para identificar as estruturas que estão debaixo da pele, ou seja, permite perceber a profundidade e a distensão da pele.

Os corpúsculos de Vater-Pacinni estão associados às pressões sentidas pelos músculos, pelos tendões e pelas articulações. São eles que nos permitem ter a noção do peso que estamos a sentir e da força que estamos a fazer.

A sensação táctil permite-nos ter a noção do toque suave, do deslizamento sobre a pele e, ao mesmo tempo, sentir a pressão desagradável de peso e desconforto. Permite-nos ter a sensação de pele esticada e desconfortável provocada pelo edema ou inchaço. Ajuda-nos ainda a perceber a textura dos objectos e, simultaneamente, alerta-nos para os perigos, quer eles surjam de fora para dentro, quer eles sejam oriundos do próprio corpo.

Saúde!

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