Por Gustavo Martins-Coelho

Terminei a crónica da semana passada [1] chamando a atenção para o facto do número de doentes atendidos em serviços de urgência praticamente não se ter alterado na última década, enquanto a reforma de 2008 reduziu o número de serviços abertos em mais de 40%. Isto significou, obviamente, o aumento do número de doentes atendidos em cada serviço. Como se tal não bastasse, em Portugal, a legislação tem tendência a assumir um papel mais decorativo, no Diário da República e em relatórios internacionais, nos quais somos sempre elogiados pelo afinco com que fazemos leis que se contam entre as mais avançadas do mundo, em diversas matérias…

Em boa verdade, não é só em Portugal que isso e muitas outras coisas do mesmo jaez acontecem, mas temos o vício de dizer que certas coisas — só neste país! A este propósito, acabei de me lembrar duma canção do Sérgio Godinho, que não resisto a partilhar [2].

Com tanta música, já não tenho tempo de prosseguir hoje com a questão do caos nas urgências, mas, para a semana, cá estarei de novo para falar disso.

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