Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Continua hoje a descrição da evolução do serviço de passageiros na rede ferroviária portuguesa, linha a linha, entre 2009 e 2013 [11].

Linha de Évora

A linha de Évora esteve encerrada nove meses, em 2006, para modernização. Em 2010, foi novamente encerrada, por um ano, para ser electrificada)… Antes da electrificação, circulavam na linha catorze comboios diários; em 2013, esse número reduzira-se para oito, tendo sido suprimidos todos os oito comboios diários entre Évora e Beja. O tempo de viagem entre Lisboa e Évora reduziu-se entre dezasseis e 23 minutos, fazendo do comboio o meio de transporte mais rápido entre as duas cidades.

Ramal de Tomar

Não houve qualquer alteração de relevo; mantêm-se 34 comboios diários, com tempos de viagem entre 1h36 e 2h09 (para percorrer 130 km).

Linha do Oeste

Por falta de investimento, a Linha do Oeste (com cerca de 200 km) tem padrões de velocidade ultrapassados e, nalguns trajectos, os tempos de viagem são mais longos do que há algumas décadas. Todas as ligações, com excepção dum comboio directo de Lisboa a Coimbra, obrigavam em 2013 a transbordo nas Caldas da Rainha; outras oito ligações obrigam a transbordo em Meleças, menos uma do que 2009. Há também, no cômputo geral, menos uma ligação das Caldas da Rainha a Meleças do que em 2009; e passámos de nove ligações diárias entre Lisboa e a Figueira da Foz para sete.

Os tempos de espera nos transbordos reduziram-se, bem como os tempos de viagem, com poucas excepções. No entanto, percorrer estes 215 km demorava em 2013 entre 3h49 e 5h04, mais lento do que há trinta anos!

Entre as Caldas da Rainha e a Figueira da Foz, há menos duas ligações do que em 2009, mas deixou de haver transbordo em Verride e ganharam-se geralmente alguns minutos de viagem (mas permanecendo mais lenta do que há pouco mais duma década).

Entre as Caldas da Rainha e Lisboa, perdeu-se uma ligação diária entre 2009 e 2013, mas reduziu-se o número de transbordos e o tempo de espera nestes, enquanto o tempo de viagem é hoje pior do que há trinta anos.

De Coimbra às Caldas da Rainha, passou a haver mais uma ligação diária, mas passou a haver só um comboio directo, contra dois em 2009. Com raras excepções, os tempos de viagem não se alteraram consideravelmente.

Entre Lisboa e Leiria (160 km), chega a ser necessário realizar dois transbordos e o tempo de viagem pode chegar a 4h01…

Linha de Beira Alta

Apesar da introdução das portagens na A25, entre 2009 e 2013 foram suprimidos dois comboios diários entre Coimbra e a Guarda e entre esta cidade e Vilar Formoso; e os Intercidades passaram a parar mais vezes: Vila Franca das Naves, Fornos de Algodres, Carregal do Sal e Mortágua.

Não existe um único comboio directo entre o Porto e a Guarda e o transbordo encarece o bilhete [12]. A viagem mais rápida demora entre 3h29 e 4h10, dos quais cerca de meia hora é passada a fazer o transbordo. De Coimbra à Guarda, apesar da redução do número de comboios, o tempo de viagem não sofreu grandes alterações. De Lisboa à Guarda, perderam-se quatro ligações diárias ente 2009 e 2013 e os tempos de viagem aumentaram ligeiramente. De Vilar Formoso à Guarda, também se perderam comboios e o tempo de viagem aumentou nove minutos no mesmo período.

Linha da Beira Baixa

A circulação foi interrompida entre a Covilhã e a Guarda, em 2009, para obras de modernização, que foram deixadas inacabadas. O serviço rodoviário alternativo de seis autocarros diários (igual ao número de comboios prévio) foi suprimido em 2012. Entre Castelo Branco e Covilhã, a linha foi modernizada, permitindo velocidades superiores, mas mantendo pontos com limites de 30 km/h… Com a introdução das portagens na A23, a Rede Expressos reforçou o seu serviço; a CP substituiu os comboios Intercidades por automotoras de pior qualidade…

Entre 2009 e 2013, foi suprimida uma ligação e reduzido o número de ligações com transbordo e ganharam-se doze a 38 minutos de viagem entre Lisboa e a Covilhã. Entre Lisboa e Castelo Branco, mantém-se o número de ligações (catorze), mas diminuiu o número de comboios directos e os tempos de viagem aumentaram ligeiramente.

No entanto, em 2013, subsistiam apenas seis das onze ligações entre o Porto e a Covilhã, com um tempo de viagem, no mínimo, de 5h04 e uma hora de espera no transbordo. Entre o Porto e Castelo Branco, manteve-se o número de ligações, mas aumentou de forma mais significativa o tempo de viagem.

Linha do Alentejo

Entre 2009 e 2013, foram modernizados 37,4 km. Para o efeito, encerrou-se toda a linha durante um ano, apesar de não ser necessário. Depois da modernização, foram suprimidas as ligações entre Beja e Évora, entre o Barreiro e Beja e entre Beja e Funcheira; e foi reduzido o número de comboios Intercidades de Lisboa a Beja (de dez para oito diários). O serviço regional ficou reduzido a quatro comboios diários entre Vila Nova da Baronia e Beja.

Os tempos de viagem entre Lisboa e Beja praticamente não se alteraram depois das obras, muito por causa do aumento do número de paragens intermédias — de oito para catorze.

Linha de Guimarães

Os comboios não urbanos de Guimarães não sofreram qualquer alteração de relevo entre 2009 e 2013, mesmo com a abertura da variante da Trofa, que se dizia que iria reduzir os tempos de viagem.


Nota:

a: O artigo original pode ser lido no blogue «A nossa terrinha» [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10].

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