Por Carlos Lima

A sensação térmica está relacionada com a percepção de cada pessoa, ao nível da pele, da temperatura que a rodeia.

Ainda que o termo «térmico» pareça referir-se somente ao calor, os nossos receptores térmicos captam variações de temperatura entre os 10 °C e os 45 °C. Abaixo e acima destes valores, os receptores da dor sobrepõem-se aos da sensação térmica e estes deixam de ser estimulados. Como os receptores são os mesmos, fora deste intervalo, o frio pode ser interpretado como calor e o calor como frio, enganando o cérebro, porque, localmente, ambos produzem lesões do tipo da queimadura, em que a dor se sobrepõe às outras sensações. Esta é uma das razões por que o frio é um bom anestésico local, ou seja, inibindo a acção dos receptores térmicos, causa-se a perda da sensação, em geral.

Quando existem estímulos do mesmo tipo, por muito tempo, os receptores vão-se adaptando e deixamos de ter a percepção, pelo que a lesão por frio ou calor pode acontecer. Esse facto fica bem evidenciado na história da rã que é metida numa panela de água a 50 °C e salta imediatamente da panela; mas, se a metermos em água fria e formos aquecendo a água, ela acaba por morrer cozida [1].

A sensação térmica assume particular importância na regulação da temperatura corporal [2]. Como sabemos, a pele é o nosso maior órgão e é um revestimento muito eficaz, suficientemente elástico e sensível para permitir um conjunto de ajustamentos à função da regulação da temperatura corporal. Isto quer dizer que a pele responde tanto a estímulos internos como externos, tornando-se mais ou menos permeável, mais ou menos irrigada de sangue, mais ou menos porosa, para regular a temperatura corporal.

A temperatura corporal oscila à volta dos 37 °C (avaliação rectal). Varia ao longo do dia, mas valores acima ou muito abaixo deste implicam mecanismos activos de regulação, como é o caso do suor, para produzir o arrefecimento, e dos tremores, para produzir calor.

As pessoas com problemas neurológicos que alteram a sensibilidade térmica, principalmente ao nível das extremidades dos membros, podem desenvolver queimaduras térmicas (quente ou frio), porque não sentem as variações de temperatura e a associação que esta tem com a sensação de dor. São disso exemplos os diabéticos, com a chamada neuropatia diabética [3], que aparecem muitas vezes nos serviços de saúde com grandes queimaduras, referindo que só se aperceberam pelo cheiro a queimado.

A sensação térmica é importante para captar o meio ambiente que nos rodeia e, por isso, desempenha um importante papel na regulação da temperatura corporal, mas também é determinante para mantermos as distâncias das fontes de calor ou frio, ajudando-nos desta forma a manter a pele íntegra.

Saúde!

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