Por Satoshi Kanazawa [a]

Na minha última colecção («Por que são quase todos os criminosos homens?» [2]), eu explico por que os homens são muito mais propensos a cometer crimes contra a integridade física e contra o património do que as mulheres. Acontece, porém, que nada há de diferente nos criminosos. Todos os homens são essencialmente os mesmos.

Há um quarto de século, os criminologistas descobriram um fenómeno empírico persistente, chamado «curva da idade/crime». No seu influente artigo de 1983, «Age and explanation of crime» [A idade e a explicação do crime], as duas autoridades em criminologia, Travis Hirschi e Michael R. Gottfredson, afirmam que a relação entre a idade e o crime é a mesma em todas as condições sociais e culturais, em todos os tempos. Em qualquer sociedade, em todos os grupos sociais, em todas as raças e em ambos os sexos, em todos os momentos históricos, a tendência para cometer crime e outros comportamentos arriscados análogos aumenta rapidamente no início da adolescência, atinge o máximo no final desta e no início da idade adulta, diminui rapidamente ao longo da terceira e quarta décadas de vida e estabiliza na meia-idade. Embora tenha havido pequenas variações observadas em torno desta «constante» da curva da idade/crime, a forma essencial da curva relativa aos crimes contra a vida e a integridade física graves é amplamente aceite pelos criminologistas. O crime é essencialmente um mundo de homens jovens.

Uma das características notáveis da curva da idade/crime é ela não se limitar ao crime. Nas palavras do psicólogo evolutivo Geoffrey F. Miller, o mesmo perfil etário caracteriza «todo o comportamento humano quantificável que é público (isto é, observado por muitas potenciais parceiras) e dispendioso (ou seja, não acessível a todos os concorrentes sexuais).» A relação entre a idade e produtividade entre os músicos de jazz, os pintores, os escritores e os cientistas do sexo masculino, que poderia ser chamada de «curva da idade/genialidade», é essencialmente a mesma que a curva da idade/crime. A produtividade de todos estes profissionais — as expressões do seu génio — atingem o máximo, rapidamente, no início da idade adulta e depois declina tão rapidamente durante a vida adulta. A curva da idade/genialidade entre as suas homólogas do sexo feminino é muito menos pronunciada e mais achatada; não atinge um pico, nem variar tanto em função da idade.

Não é difícil encontrar personificações da curva da idade/genialidade. Paul McCartney já não escreve uma canção de sucesso há anos e agora dedica grande parte do seu tempo à pintura. Bill Gates é agora um respeitável empresário e filantropo e não mais o menino prodígio dos computadores dos seus primeiros anos. J.D. Salinger vive agora como um eremita e não publica há mais de três décadas. Orson Welles tinha uns meros 26 anos, quando escreveu, produziu, realizou e protagonizou «O mundo a seus pés», que muitos consideram ser o melhor filme de sempre. Nas palavras da cantora e compositora Jill Sobule [3], na sua canção «Heroes» do álbum «Pink pearl»), «Orson Welles atingiu o topo aos 25, inchou diante dos nossos olhos e vendeu mau vinho». Há algumas excepções. Alguns artistas, escritores e cientistas permanecem produtivos pela meia-idade e velhice, tal como alguns criminosos fazem carreira e cometem crimes durante toda a vida. Mas, em geral, o padrão da produtividade juvenil mantém-se na maioria dos casos, independentemente do seu campo de especialização.

Qual é a razão por trás de tudo isso? Por que desistem geralmente os criminosos de cometer crimes, à medida que envelhecem? Por que também a produtividade dos génios criativos desaparece, frequentemente, com a idade? Eu abordarei estas questões no meu próximo artigo.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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