Por Satoshi Kanazawa [a]

Foi com tristeza que tomei conhecimento de que os comediantes Jimmy Kimmel e Sarah Silverman se separaram. Eu sempre os achei um belo casal, uma combinação perfeita do politicamente incorrecto.

Eu sou fã do Jimmy Kimmel mesmo antes da sua participação no «The man show» (1999–2001), com Adam Carolla, pelo que nem se fala do «Jimmy Kimmel live!» (de facto, eu estive tanto tempo no estrangeiro que nunca vi o «Jimmy Kimmel live!»). E sou fã ainda maior da Sarah Silverman, desde a sua demasiado breve passagem pelo SNL (1993–1994).

Eu identifico-me com a Sarah Silverman em particular, porque eu sinto, a respeito dos seus críticos, o mesmo que sinto sobre os meus próprios. Como eu refiro no meu artigo inaugural [2] desta coluna [3], tudo o que um cientista diz, nessa qualidade, é verdadeiro, ou falso, ou algures no meio. Não pode ser racista, ou sexista, ou ofensivo, ou qualquer outro adjectivo. Nenhuma dessas preocupações é relevante.

Da mesma forma, tudo o que um comediante diz, nessa qualidade, é engraçado, ou sem graça, ou algures no meio. Tal como as teorias científicas são verdadeiras ou falsas (ou algures no meio), as piadas são engraçadas ou sem graça (ou algures no meio). Elas não podem ser racistas, ou sexistas, ou ofensivas, ou qualquer outro adjectivo. Nenhuma dessas preocupações é relevante. Portanto, todos os críticos que acusam as piadas da Sarah Silverman de serem «racistas» estão simplesmente a disparar ao lado. As suas piadas são incrivelmente engraçadas; e isso é tudo o que importa. Se o humor ofende, a sua função é ofender.

A sua piada «racista» mais famosa ilustra o meu argumento. Procurei por todo o ciberespaço um vídeo da mesma, na sua aparição original no «The late night with Conan O’Brien», em Julho de 2001, para ilustrar o leitor menos familiarizado com os espectáculos da Sarah Silverman, mas não fui capaz de localizá-lo em qualquer lugar, provavelmente porque, sucumbindo à pressão dos grupos americanos asiáticos, a NBC pediu desculpas pela piada (embora a Sarah Silverman não o tenha feito, com razão) e, provavelmente, não voltou a transmitir o episódio desde então.

O Guy Aoki, da Media Action Network for Asian Americans, declarou publicamente, num episódio de «Politically incorrect», em Agosto de 2001, que a Sarah Silverman deveria ter dito «Chinese people» [povo chinês] em vez de «chinks» [chinocas]. É um exemplo perfeito de como os idiotas politicamente correctos não têm absolutamente qualquer sentido de humor. Qualquer pessoa com meio cérebro pode ver que a piada não teria funcionado, se ela tivesse dito «Chinese people».

Tal como eu argumentei numa colecção anterior [4], praticamente todos os estereótipos (étnicos ou não) são empiricamente verdadeiros. Se não o fossem, não seriam estereótipos. O meu trabalho, enquanto cientista, é descobrir por que são eles verdadeiros. O trabalho da Sarah Silverman, enquanto comediante, é dizer piadas sobre eles, para fazer as pessoas rir. Como a Sarah Silverman afirmou, fazer as pessoas rir é o seu único objectivo como comediante (assim como a descoberta da verdade é o meu único objectivo como cientista). Eu estou apenas muito triste pelo poderoso duo cómico com o génio por trás de «I’m fucking Matt Damon» [Eu ando com o Matt Damon] e o ainda mais engraçado «I’m fucking Ben Affleck» [Eu ando com o Ben Affleck] já não existir.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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