Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

Ainda a tarde de Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005. Depois da chuva, em Bruges [1], as nuvens partiram, pelo que — pensávamos nós — já não haveria qualquer impedimento ao passeio de barco, pelos canais, que havíamos planeado. Contudo, a ausência de local apropriado para deixar guardadas as mochilas — e o receio de que o peso das mesmas pudesse virar o barco — levaram-nos a desistir do passeio, pelo que continuámos a passear sobre a terra, tendo visitado a Casa de Peres de Malvenda e, em seguida, a Capela Militar, a Casa Senhorial de Watervliet e a Igreja de S. Salvador, antes de partirmos para Ganda.

Aí chegados, o tempo compôs-se definitivamente e as mochilas ficaram guardadas na pousada, o que nos permitiu dar o passeio de barco que tínhamos programado para Bruges. Nesse passeio, vimos, entre outras coisas, a Igreja de S. Miguel; o Cais dos Cereais, onde fica a casa mais antiga da cidade, datada do século XIII, a qual costumava ser o armazém dos cereais que eram aí descarregados (e que, com o peso de tanto cereal, estava inclinada para a frente, como que descaída); as três torres, que, apesar de pertencerem a edifícios diferentes, se encontram quase alinhadas, formando uma das imagens mais conhecidas da cidade de Ganda; a Ponte de S. Miguel e o antigo posto dos Correios, que foram construídos propositadamente para a exposição universal de 1913 [2]; o Mercado do Peixe, infelizmente ao abandono; o Mercado da Carne, mesmo em frente; o Castelo dos Condes da Flandres; a Ponte dos Prazeres Imperiais, que tinha quatro estátuas, representando os ditos cujos (e as quais nos permitiram descobrir que o imperador devia ser um homem muito infeliz); e, acima de tudo, muitos Espanhóis [3]. Havia também uma senhora, que se assustava de cada vez que o barco balançava. Considerando que os barcos, quando flutuam na água, costumam balouçar, concluímos que o coração da senhora é muito forte, para ter resistido a tanta emoção!

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