Por Jarrett Walker [a]

No último artigo [2], eu abordei o debate sobre a tecnologia a aplicar ao denso corredor da Broadway de Vancôver, o último grande corredor de alta densidade urbana na cidade que ainda não tem transporte colectivo rápido. É a linha laranja escuro Este–Oeste no mapa da rede actual:

A agência de transporte colectivo de Vancôver, a Translink, anunciou as opções preliminares; e todas se estendem desde a Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no extremo Oeste, à Commercial Drive, o principal ponto de ligação com a linha Expo do SkyTrain [3], no extremo Leste, embora algumas opções façam também outras ligações ao SkyTrain.

As opções actuais são:

  1. Uma alternativa de transporte rápido em autocarro (BRT — Bus Rapid Transit), que parece significar corredores bus para o serviço de autocarros com poucas paragens — a linha 99, que já existe na Broadway. O custo desta opção é muito baixo, mas se retirar vias de trânsito ao transporte individual fosse politicamente fácil, há muito que estaria feito.
  2. Uma alternativa básica de metro ligeiro ao longo da Broadway, com algumas opções a Leste da Main Street.
  3. Um sistema de metro ligeiro mais extenso, com duas linhas, uma como descrito no n.º 2 e outra linha ao longo da margem Sul da baía de False Creek, a partir da estação de Main Street, ligando a Broadway a Arbutus.
  4. Uma opção de transporte ferroviário rápido — esta será, presumivelmente, uma extensão da linha Millennium do SkyTrain ao longo da Broadway, até à UBC.
  5. Uma opção de combinação, que aproveita uma ideia que eu tenho defendido há algum tempo. Estender (presumivelmente) o SkyTrain até Arbutus e metro ligeiro até à UBC, usando a Broadway a Oeste de Arbutus; e depois ao longo da margem Sul da baía de False Creek até à Main Street. Desenvolverei este tópico abaixo.
  6. Uma opção de melhoria do serviço de autocarros, com melhorias em todos os corredores bus em até à UBC, obviamente incluída como controlo negativo, com o qual comparar os restantes.

Infelizmente, estas opções preliminares podem ser demasiado preliminares, uma vez que carecem de detalhes sobre aspectos cruciais que eu gostaria de conhecer, se desejasse formar uma opinião, enquanto cidadão de Vancôver.

Em primeiro lugar e mais importante: a maior falha na rede de transporte rápido de toda a região é a falta de ligação entre as linhas Millennium [b] e Canada. A diferença é bem visível:

Note-se que está também planeado um novo ramo do SkyTrain a partir da linha Millennium, até Coquitlam [4]. Isto irá aumentar o volume de comboios e de passageiros na linha Millennium e, assim, também aumentar o número de pessoas frustradas pela linha terminar antes de atingir a linha Canada ou o centro da cidade. Portanto, é importante ficar claro se «transporte ferroviário rápido» significa uma extensão da linha Millennium do SkyTrain — o único projecto que resolve esse problema.

Em segundo lugar, a informação é omissa sobre a localização das paragens e o espaçamento entre as mesmas. Eu presumo que todas as opções estão desenhadas para parar uma vez por quilómetro, tal como o autocarro rápido faz, actualmente. Mas algumas das opções de metro ligeiro através da margem Sul da baía de False Creek usam um segmento de via que também está a ser considerado para o eléctrico — e tal palavra significa habitualmente muitas paragens e baixa velocidade. Não entre neste debate até estar absolutamente certo da diferença entre eléctricos e metro ligeiro [5]! Se o leitor quiser um serviço rápido até à UBC, então, a opção ferroviária tem de ser metro ligeiro: em via exclusiva e, principalmente, sem mais do que uma paragem por quilómetro. Mas, se algumas pessoas, ao longo da mesma linha, visualizam um eléctrico, o que significa muitas paragens e às vezes sem separação de nível, o resultado pode não ser suficientemente rápido ou fiável para servir adequadamente a UBC.

Em terceiro lugar, não há uma indicação clara sobre se a linha seria elevada, subterrânea ou à superfície. O projecto apresenta todas estas opções, como se este fosse um detalhe a ser trabalhado mais tarde. Se eu vivesse ou trabalhasse nas ruas afectadas, recusar-me-ia definitivamente a emitir uma opinião, até ter isso claro. Tenho a certeza de que esta questão será uma preocupação central da próxima fase do trabalho, mas não tenho tanta certeza de que a opinião pública vá ser muito decisiva, ou significativa, até que as opções de perfil (elevado, subterrâneo, ou à superfície) tenham sido descritas em detalhe.

Finalmente, tenho de dizer que me agrada a opção de combinação, que eu mesmo já sugerira anteriormente.

Esta opção estende a cara tecnologia SkyTrain apenas até Arbutus, que é realmente o extremo da parte densa ou com esse potencial da Broadway. Daí para ocidente, entramos numa zona de vivendas unifamiliares sem perspectivas de crescimento, com a UBC como o único destino de alta procura restante.

Mas, se o leitor gostar desta opção, sugiro algumas perguntas a fazer sobre os detalhes:

  • Não precisamos duma proposta que leve o SkyTrain até Arbutus, com serviço de autocarros rápidos daí em diantes, em vez de metro ligeiro, até à UBC? Uma combinação de Skytrain e metro ligeiro será muito cara, e pode ser rejeitada, se não oferecer uma solução mais barata que também resolva o problema de ligar as linhas Millennium e Canada.
  • O metro ligeiro ao longo da margem sul do False Creek fornece realmente o tempo de viagem inter-regional de que a UBC precisa? Pense numa viagem entre a UBC e qualquer ponto a meio da linha de Expo, tal como como Joyce ou Metrotown. O leitor faria todo o caminho de metro ligeiro até à estação de Main Street, um percurso mais longo do que o oferecido actualmente pelo autocarro? Ou será que preferiria mudar em Arbutus para a linha Millennium e, em seguida, mudar novamente para a linha Expo, mais um transbordo do que é necessário fazer actualmente? Ou será que o leitor continuaria a apanhar o autocarro da 41.ª ou da 49.ª Avenida, como talvez faça agora? Existe o risco de gastar milhões e acabar com algo que não é mais rápido do que o autocarro actual, pelo menos do ponto de vista dalguns dos principais mercados da UBC?
  • A estação de Main Street, localizada directamente sobre uma movimentada avenida num dos piores pontos de estrangulamento de trânsito de Vancôver, será realmente um lugar onde se pode trazer o metro ligeiro até ao comboio e transferir grandes volumes de pessoas, mantendo o metro ligeiro totalmente separado do tráfego?

Em suma, os aspectos mais importantes a atentar nesta fase do projecto são (a) o perigo sempre presente do metro ligeiro degenerar num mero eléctrico [5], que vai ser demasiado lento para ser útil nas viagens até à UBC, e (b) a necessidade de olhar para a lacuna na linha Millennium como um problema estrutural da rede regional.

Como muitas vezes acontece, o debate corre o risco de ser estritamente enquadrado na pergunta: «o que vamos fazer para a Broadway e a UBC?», como se as pessoas ao longo da linha fossem os únicos interessados. Na verdade, muitas pessoas que fazem grandes viagens entre subúrbios (de Coquitlam para Richmond, ou da Universidade Simon Fraser para o aeroporto, ou muitos outros) são grandes interessados no resultado deste projecto.

O planeamento regional de Vancôver está empenhado em desenvolver Coquitlam e Richmond, entre outros lugares, como grandes centros comerciais, residenciais e industriais. Todos estes centros devem ter transporte colectivo rápido conveniente para qualquer ligação entre si e não só para Vancôver. A rede SkyTrain não faz isso ainda; e esta pode ser a última chance para corrigir esse problema.

Fechar a lacuna que indiquei vai ser caro, mas o resultado seria um projecto que serve toda a região e não apenas o corredor Broadway, o que pode fazer a diferença na hora do financiamento.


Notas:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

b: Ao longo deste artigo, eu uso o termo «linha Millennium» para identificar o lado do norte da volta amarela que se visualiza no mapa da rede representado no texto, onde a linha circula sozinha e termina antes de chegar à linha Canada; e uso o termo «linha Expo» para referir a linha azul escura, grande parte da qual é actualmente duplicada, de forma confusa, por uma continuação da linha Millennium (n. do A.).

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