Por Ana Raimundo Santos

O tema do acordo ortográfico é algo já recorrente e até repetitivo, cujo debate tem, nos últimos tempos, sido bastante aceso. As vozes contra levantam-se de forma veemente e os argumentos são mais do que muitos.

Muitos me questionam sobre a minha opinião, mas a resposta é sempre a mesma: é-me um bocadinho indiferente.

Porquê?

Porque, para mim, não se trata duma questão de língua, porque as alterações introduzidas em nada mudam o significado das palavras, tão pouco a sintaxe do discurso. É uma questão de ortografia, de pura e simples grafia, que apenas implica uma reaprendizagem de algumas — poucas — regras ortográficas. É maçador? É! É trabalhoso? É, sim! Mas será, de facto, uma questão assim tão polémica, como se quer fazer parecer?

O argumento de que todos os signatários suspenderam a aplicação do acordo parece-me fraca e até algo infantil. Sempre que o ouço, recordo-me de algo que ouvi muitas vezes na infância, quando fazia asneiras porque ia na carneirada dos colegas de escola:

— Se eles se atirassem duma ponte, tu também te atiravas?

Na verdade, a resposta era sempre a mesma:

— Não!

Creio que o leitor terá ouvido algo semelhante nalguns momentos da sua vida e terá reagido da mesma forma.

Não devemos fazer as coisas porque os outros fazem ou deixam de fazer; devemos fazer porque acreditamos nelas. Mas, em matérias desta natureza, temos um Estado que decide — se bem ou mal, só o tempo dirá.

Por imperativo profissional, utilizo o acordo ortográfico desde 1 de Janeiro de 2012, data em que passou a ser obrigatório em todos os serviços e documentos oficiais do Estado Português, e devo dizer-vos que não é tão difícil como muitos querem parecer, tão pouco tão diferente da grafia sem acordo.

Quando me foi imposta a utilização do acordo a nível profissional, fiz uma opção clara de não utilização na vida pessoal, não porque estivesse contra o acordo, simplesmente porque não queria perder a ginástica mental a que ambas as grafias me obrigava.

Sinceramente, com acordo ou sem ele, continuo a escrever na minha língua — o Português — e isso deveria ser o mais importante.

É-me indiferente se a aplicação do acordo é imperativa, ou não, porque o essencial não mudou.

E o leitor?

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