Por Gustavo Martins-Coelho [a]

O Rui Rio é apresentado periodicamente como uma espécie de D. Sebastião, que virá a ser um novo primeiro-ministro «do Norte», a respeito de quem são inventados factos e opiniões, nomeadamente os que se seguem.

Que os Portuenses gostam dele unanimemente. Só acontecia na revista paga pelos munícipes e nos comunicados que a imprensa papagueava na primeira página. O Rui Rio nunca ganhou as eleições sem coligação e, somando a abstenção e os votos noutros partidos, 80 % da cidade nunca votou nele. Quanto a ser reeleito, há em Portugal algum presidente de câmara que o não seja (com o que isso diz da democracia local)?

Que o Rui Rio parou o desperdício com os subsídios à cultura. Errado: o Rui Rio transferiu os subsídios dos artistas para os pilotos de carros, deixando o Rivoli meio devoluto e o grande prémio a custar 700.000 euros à câmara, 1,5 milhões às empresas municipais, 1,4 milhões ao Turismo de Portugal — e, com esta e outras tropelias de não orçamentadas, a Porto Lazer em pré-falência.

Que as contas estão em dia. Sim, pagou-se dívida — 9 a 10 milhões de euros por ano. Mas, como não há investimento, a receita caiu 9 milhões por ano… A austeridade municipal fez o orçamento da câmara cair 115 milhões em dois mandatos — o mesmo valor de dívida que foi pago. A cidade perdeu, nos últimos dez anos, cerca de sete munícipes por dia — 25.000 no total.

Que o Rui Rio não tem os vícios da política. E o Bolhão? O concurso que a Tramcrone venceu levantou problemas gravíssimos na justiça. Uma petição com tantas assinaturas quanto os votos que elegeram o Rui Rio em 2001 anulou o projecto e deixou o mercado devoluto.

O Rui Rio não é um «conservador» do Norte, ponderado e cuidadoso. É um neoliberal, da escola da austeridade e das privatizações a todo o custo, igual ao Vítor Gaspar. Para se fazerem escolhas sérias, é preciso escrutinar as opções.


Nota:

a: O artigo original pode ser lido no «Jornal de Negócios» [1].

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