Por Carlos Lima

Não creio que essas coisas aconteçam por acaso: há trabalho, há progresso, há confiança — e tudo isso é construído ao longo do tempo, no dia-a-dia.

Em tempos, ouvi uma música de Aline Calixto, «Saber ganhar» [1], que partilhei com os meus atletas, numa fase em que a cada vitória se seguia uma euforia e um entusiasmo tais que, no jogo seguinte, sofríamos uma goleada, pois muitos dos pequenos atletas pensavam já ter aprendido tudo e subestimavam o trabalho da semana a seguir a uma vitória. Devido à euforia dalguns, tornava-se difícil de gerir o grupo.

Agora que os campeonatos estão a chegar ao fim (curiosamente, a escola também), há a euforia (por vezes, desmedida) dos campeões. É bom ser campeão, mesmo que dum torneio, duma série, dum distrito, dum país, do mundo. A alegria que se sente quando isso é percebido como resultado dum trabalho é fantástica e entusiasmante.

No desporto em geral e na vida, existem momentos para a felicidade de atingir os objectivos propostos e, quando assim é, há que felicitar os que trabalharam e conseguiram, sem associar o depreciativo «mas», ou seja, dar os parabéns e não juntar: «mas podia ser isto», «mas podia ter sido melhor», mas… mas…

No momento em que vamos voltar a concentrar-nos no trabalho, é preciso valorizar o esforço para conseguir esses objectivos. Entendo a ideia de querer preparar o «terreno» para os desafios que virão, mas isso implica que não estamos a valorizar suficientemente o esforço feito.

Ser campeão dá sempre sentimentos de sucesso e esse sucesso é motivador. Uma equipa que se vem construindo ao longo do tempo sente que cresceu, que aprendeu, que se transformou efectivamente numa equipa em que o valor individual existe, para acrescentar valor à equipa.

Na formação, quando se é campeão, ganha o grupo, ganha-se força para enfrentar novos desafios e para perceber que o esforço e, por vezes, o sofrimento têm a sua compensação.

Trabalho com uma equipa que há três levava goleadas das antigas (muitas vezes acima dos dez). Reduzimos gradualmente, entrámos na discussão dos primeiros lugares e, actualmente, somos campeões de série. É verdade que foi fora da série dos primeiros, mas já lá tínhamos estado em anos anteriores e não tínhamos conseguido. Agora, há que potenciar este resultado e continuar.

Foi uma grande alegria, sentimos muita vontade de continuar e os treinos na semana a seguir foram de maior intensidade, de sorrisos de orelha a orelha e muito fáceis, porque tínhamos compreendido o motivo do nosso trabalho.

Não há aqui qualquer tipo de promessa, não há qualquer tipo de euforia, há alegria e emoção, o respeito pelos adversários que nos ajudaram a crescer e um dia destes o «mas» voltará na reunião das tropas, mas agora é desfrutar… somos campeões!

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