Por Satoshi Kanazawa [a]

A semelhança entre Bill Gates, Paul McCartney e os criminosos (na verdade, todos os homens na história evolutiva) aponta para um conceito muito importante na biologia evolutiva: a escolha feminina. Em todas as espécies em que a fêmea faz um maior investimento na maternidade do que o macho (como acontece com os seres humanos e todos os outros mamíferos), o acasalamento é uma escolha feminina: acontece quando a fêmea quer que aconteça e com quem ela quer que aconteça, não quando e com quem o macho quer que aconteça.

O poder de escolha feminina torna-se bastante evidente através dum exercício simples de raciocínio. Imagine o leitor, por um momento, uma sociedade onde o sexo e o acasalamento eram inteiramente uma escolha masculina: os indivíduos tinham sexo quando e com quem os homens quisessem, não quando e com quem as mulheres quisessem. O que aconteceria em tal sociedade? Absolutamente nada, porque as pessoas nunca parariam de fazer sexo! Não haveria civilização em tal sociedade, porque as pessoas nada fariam, além de ter relações sexuais. Esta, aliás, é a razão pela qual os homens homossexuais nunca param de fazer sexo: não há mulheres para dizer que não. Os homens heterossexuais sexualmente activos tiveram, em média, 16,5 parceiras sexuais desde os dezoito anos; os homens homossexuais tiveram 42,8.

Na realidade, porém, as mulheres costumam dizer não aos homens. Na minha experiência, elas dizem sempre não. É por isso que os homens, ao longo da História, tiveram de conquistar terras estrangeiras, vencer batalhas e guerras, compor sinfonias, escrever livros e sonetos, pintar retratos e tectos de catedral, fazer descobertas científicas, tocar em bandas de rock e escrever novos programas de computador: a fim de impressionar as mulheres, de modo que elas aceitem ter relações sexuais com eles. Não haveria civilização, arte, literatura, música, Beatles, Microsoft, se o sexo e acasalamento fossem uma escolha masculina. Os homens têm construído (e destruído) civilizações a fim de impressionar as mulheres, para que elas possam dizer sim. As mulheres são a razão pela qual os homens fazem tudo.

Mais uma vez, o meu herói pessoal, Bill Maher, capta a essência da escolha feminina perfeitamente, quando diz, brincando:

— Para um homem entrar num bar e ter à sua disposição qualquer mulher que ele queira, ele teria de ser o governador do mundo. Para uma mulher para ter o mesmo poder sobre os homens, ela teria de ir ao cabeleireiro.

Por outras palavras, qualquer jovem mulher razoavelmente atraente exerce o mesmo poder que o governador (masculino) do mundo.

Dito de outro modo, qualquer mulher tem o poder de prever o futuro, enquanto muito pouco homens o conseguem. Se um homem acordar de manhã e disser para si mesmo: «hoje à noite vou levar alguém para a cama», a previsão vai falhar a maior parte das vezes, a menos que ele seja incrivelmente bonito. A maioria dos homens jovens, de facto, faz esta previsão, todas as manhãs, e vai para a cama sozinho e decepcionado, todas as noites. Se uma mulher — qualquer mulher — acordar de manhã e disser para si mesma: «hoje à noite vou levar alguém para a cama», a previsão será sempre verdadeira, de todas as vezes. Tal é o poder da escolha feminina.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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