Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

A acabar Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005. Depois do pequeno, mas agradável, passeio vespertino de barco, pelos canais de Ganda [1], restou-nos tempo para visitar, por fora, a Igreja de S. Miguel, uma vez que as portas que granjeiam o acesso ao seu interior já tinham fechado. De qualquer forma, fica já registado que a torre da igreja permanece incompleta, porque o dinheiro acabou a meio da construção — o que, como todos sabemos, é uma razão muito forte para deixar qualquer obra incompleta.

Regressámos à pousada para descobrir, demasiado tarde (porque já o havíamos feito), que era proibido comer nos quartos. Mas, como ainda não o sabíamos então, jantámos as nossas sanduíches na sala de jantar improvisada no quarto, que, por sinal, partilhámos com três viajantes espanhóis (o quarto, não o jantar). O serão foi passado a jogar batalha naval.

Quinta-feira, 4 de Agosto de 2005. Acordámos bem dispostos (uns mais do que outros, é certo) e prontos para mais uma jornada com muitas igrejas e outras tantas caminhadas. Porém, quem corre por gosto, ou atrás do comboio, não cansa, pelo menos até estar lá dentro.

A primeira visita da manhã foi ao Castelo dos Condes da Andaluzia — perdão, da Flandres (no meio de tanto espanhol, já era difícil saber onde estávamos…). Este castelo tem, na sua história, muitas peculiaridades que importa referir. Em primeiro lugar, serviu várias funções, ao longo da sua existência: além de ter sido a residência dos condes da Flandres, serviu também como prisão e até, imagine-se, como fábrica têxtil. Em segundo lugar, a fortaleza permaneceu inexpugnável até 1949, ano em que foi invadida pela primeira vez, na sua longa história. Os invasores foram estudantes em protesto contra as más condições de vida a que eram sujeitos e contra a inflação, pois o preço da cerveja tinha aumentado de dois para três francos belgas. Realmente, há que lutar pelos direitos fundamentais do ser humano, recorrendo a todos os meios! Em terceiro lugar, o castelo foi restaurado no século XVIII e alberga hoje um museu. A visita foi deveras interessante e educativa.

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