Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Hoje, publicámos um mapa [2] que classificava os países do mundo em função da sua tolerância étnica, com base numa única variável: a proporção de pessoas que identificava «pessoas doutra raça» como um tipo de vizinhos que não gostaria de ter. O professor Steve Saideman, da Universidade de Carleton [3] e especialista em conflitos étnicos, apontou cinco aspectos a levar em conta na leitura do mapa:

  1. É difícil medir o racismo num único valor. Será que as pessoas responderiam a mesma coisa, se lhes falassem em casar com alguém doutra raça?
  2. Diferentes pessoas podem entender a questão de forma diferente. Talvez os Vietnamitas respondam a pensar apenas nos Chineses, que não apreciam muito, e não nas restantes raças.
  3. A diversidade étnica relaciona-se com o conflito de forma não perfeitamente explicada. Provavelmente, terá mais que ver com polarização e com um grupo se sentir ameaçado por outro, do que pela quantidade de grupos étnicos que compõem uma sociedade.
  4. O conflito étnico resulta da concentração, não do fraccionamento. É onde os grupos étnicos se concentram em espaços geográficos que surgem os conflitos, não quando convivem no mesmo espaço.
  5. Apesar da sua aparente uniformidade linguística, religiosa e racial, a Somália encontra-se dividida em infinitos clãs, os quais se encontram em permanente conflito e impedem o estabelecimento dum governo central.

Nota:

a: O artigo original pode ser lido «The Washington Post» [1].

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