Por Gustavo Martins-Coelho

2015060900

A etnia, tal como a raça, é uma construção social e, como tal, difícil de medir. Tendo em conta esta limitação, o Instituto Harvard para a Investigação Económica publicou um artigo, em 2002, em que identificava 650 grupos étnicos, em 190 países [1]. A partir deste estudo, os autores mediram a diversidade étnica, como a probabilidade de duas pessoas seleccionadas ao acaso num dado país pertencerem a etnias diferentes. Os resultados estão mapeados aqui (os países verdes são mais diversos e os laranjas mais homogéneos) e tornam-se mais interessantes, se analisados em conjunto com o mapa publicado ontem [2] e as reflexões do professor Saideman [3].

É importante apontar algumas limitações à informação aqui veiculada: os dados originais são, nalguns casos, dos anos oitenta do século passado e o artigo tem já onze anos de idade, pelo que nada garante que as construções sociais étnicas não se tenham alterado, ou que as migrações não tenham modificado o panorama; e diferentes culturas podem considerar certas diferenças como barreiras étnicas, enquanto outras não; finalmente, etnia e raça não são a mesma coisa.

Em relação aos dados, então:

  • Os países africanos são os mais diversos, liderados pelo Uganda, seguido da Libéria. De facto, os vinte países mais diversos do mundo são todos africanos.
  • O Japão e a Coreia são os países mais homogéneos.
  • Os países europeus são globalmente homogéneos, dando lugar ao conceito de Estado-nação.
  • Os países americanos são geralmente diversos, com excepção da Argentina e do Chile.
  • Existe alguma variedade entre os países do Médio Oriente, quanto à sua diversidade; o Iraque é um dos mais diversos.
  • Os conflitos internos parecem ser mais frequentes nos países com maior diversidade étnica.
  • A diversidade étnica correlaciona-se com a latitude e o PIB per capita, enquanto uma democracia forte se correlaciona com homogeneidade. Mas correlação não significa causalidade.
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