Por Jarrett Walker [a]

Um leitor considera que, no meu artigo sobre o corredor Broadway de Vancôver [2], eu pisei a linha que separa o perito do activista:

Eu pensava que a sua posição (manifesto? [3]) era de não tomar posição sobre projectos em curso, utilizando-os apenas para destacar as principais questões. Qual é a diferença neste caso? A mensagem a retirar é sobre o impacto regional e o benefício das opções (Coquitlam/Richmond)? Parece-me que é mais uma tentativa de salientar a sua opção favorita…

É uma zona cinzenta, porque eu costumava viver em Vancôver e, obviamente, tenho pensado nisto como residente. Mas o que eu estou realmente a fazer é sugerir alguns critérios de avaliação.

É sempre tentador estudar um corredor como se ele só servisse os bairros ao longo do mesmo, mas isso nunca é completamente verdade e, no caso da Broadway, não é verdade de todo. O corredor da Broadway apresenta dois grandes desafios que não dizem de todo respeito à Broadway:

  1. Fechar a lacuna da rede Skytrain, ou enfrentar, por consequência, uma grave barreira à mobilidade regional, a longo prazo. à medida que Richmond e Coquitlam crescem e aumentam de densidade, queremos realmente que todos os passageiros de Richmond para Coquitlam o façam de carro, porque a rede de transporte colectivo rápido não lhes oferece um número razoável de transbordos? O leitor conhece algum grande sistema de transporte ferroviário urbano razoavelmente bem sucedido que tenha uma tal lacuna óbvia na sua rede, num lugar tão central, e que não esteja a tentar corrigi-la?
  2. Garantir que a construção duma linha férrea até à Universidade da Colúmbia Britânica (UBC) resultará nalgum tipo de melhoria da mobilidade [4] para a UBC — serviço que é mais rápido, mais frequente, mais extenso ou mais fiável do que os autocarros existentes. Isto pode ser difícil, porque os autocarros que servem actualmente a UBC são bastante frequentes e há muitos projectos de baixo custo — como a linha B da 41.ª Avenida — que podem torná-los progressivamente melhor. Alguns urbanistas vão argumentar que a mobilidade não é importante e que faz sentido construir uma linha ferroviária na qual ninguém chegará a qualquer lugar mais depressa do que os autocarros actuais permitem. Se a região de Vancôver tomar essa decisão de forma consciente, então tudo bem. Mas, se assim for, que fique claro que é isso que pretendem fazer.

Assim, agradecendo ao leitor o escrutínio, o meu real argumento é este: os projectos mais eficazes de transporte colectivo rápido, em termos de número de passageiros, são os que resultam da combinação de muitos mercados, muitos círculos eleitorais e muitos objectivos num único serviço. Cuidado com as propostas que dizem que devemos servir certas pessoas e não outras, ou que um corredor é local, mas não regional. Dividir e diminuir o mercado desta forma significa uma base política mais fraca para o projecto e um resultado mais fraco em termos de utilização, se o projecto avançar.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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