Por Satoshi Kanazawa [a]

A perspectiva do controlo social sobre o efeito do casamento sobre o crime está, na melhor das hipóteses, incompleta, se o casamento tem o mesmo efeito sobre a produtividade dos cientistas. Ao contrário do comportamento criminoso, a actividade científica está completamente dentro da sociedade convencional e não é, portanto, de todo incompatível com o casamento e com outros laços fortes com a sociedade convencional. Ao contrário dos criminosos, os cientistas não estão sujeitos ao controlo social (por parte das mulheres, ou doutros), uma vez que a actividade científica não é ilegal, ou de qualquer forma desviante.

Eu acredito que uma teoria da psicologia evolutiva fornece uma explicação muito mais simples e parcimoniosa para o efeito do casamento tanto sobre o crime como sobre a ciência, sob a forma dum único mecanismo psicológico que predispõe os jovens a competir e a destacar-se no início da sua vida adulta, mas posteriormente desliga, após o nascimento dos filhos (que acontecia rapidamente, após a união monógama e o sexo regular, na ausência de métodos contraceptivos fiáveis, no ambiente ancestral). Depois do casamento e do nascimento dos filhos, aos cientistas do sexo masculino não apetece passar horas e horas no laboratório, assim como aos criminosos casados ​​não apetece correr grandes riscos e cometer crimes. Mas nem os cientistas nem os criminosos sabem porquê.

Na perspectiva da psicologia evolutiva, o sucesso reprodutivo é o fim; e tudo o que os homens fazem (seja crime ou investigação científica) é apenas um meio para este fim último. Nesta perspectiva, a questão de por que o casamento reduz o crime e a produtividade científica perde o sentido. Faz sentido que os homens continuem a empregar os meios, mesmo depois de terem atingido os fins que estavam a tentar atingir com esses meios? É por isso que os homens casados ​​são menos propensos a envolver-se em todo um conjunto de comportamentos de risco, como conduzir depressa, que são servem indirecta e inconscientemente para atrair mulheres. De facto, as estatísticas dos seguros automóveis mostram claramente que os homens casados ​​têm menos acidentes de carro.

A flutuação do nível de testosterona pode fornecer a explicação bioquímica para o efeito do casamento e da paternidade nos homens, sejam eles criminosos ou cientistas. Um estudo longitudinal mostra que os níveis de testosterona dos homens descem, quando estes se casam, e voltam a subir, quando eles se divorciam. Outro estudo demonstra que os níveis de testosterona dos pais expectantes cai rapidamente logo após o nascimento do bebé. Se altos níveis de testosterona predispõem os homens a ser mais competitivos e agressivos, então a queda brusca nos níveis de testosterona após o casamento e o nascimento dos filhos pode fornecer a razão bioquímica para o mecanismo psicológico dos homens que os leva a cometer crimes e a produzir trabalho científico «desligar» quando eles se casam e se tornam pais.

Vou terminar esta colecção [2] com o próximo artigo, a respeito dalgumas observações sobre a forma como a comunicação social tratou estas descobertas.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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