Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Em ano de eleições, é importante não esquecer os pequenos episódios que, ao longo da legislatura, muito mostraram da postura democrática de quem agora quer ser reeleito; e não é só o Governo do Pedro Passos Coelho que está em sufrágio.

Em 11 de Julho de 2013, perante o grito de «demissão!» nas galerias do parlamento, a presidente da Assembleia da República, mostrando como lida com as contrariedades e os desafios ao seu autoritarismo, disse três coisas: sugeriu que os cidadãos deixassem de ter acesso à casa da democracia; declarou que «não fomos eleitos para sermos amedrontados, desrespeitados»; e citou a Simone de Beauvoir: «não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes».

Só que a madame Beauvoir escreveu tal frase sobre a opressão nazi sobre os franceses durante a II Guerra Mundial. Equiparar cidadãos portugueses que se manifestavam legitimamente a nazis é inadmissível — ainda mais quando é a presidente da Assembleia da República quem faz tal comparação.

A Assunção Esteves nunca se desculpou deste «inconseguimento». Quem, em democracia, tem medo do povo, não merece o seu voto.


Nota:

a: O artigo original pode ser lido no jornal «Expresso» [1].

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