Por Carlos Lima

A dor crónica, tal como já discorremos numa crónica anterior [1], pode ser definida como «uma dor persistente ou recorrente, de duração igual ou superior a 3 meses e/ou que persiste para além da cura da lesão que lhe deu origem».

Segundo o Plano Nacional de Controlo da Dor (PNCD) [2], para além da função de alerta, «a dor não representa qualquer outra vantagem fisiológica para o organismo. Pelo contrário, para além do sofrimento e da redução da qualidade de vida que causa, provoca alterações fisiopatológicas dos sistemas imunitário, endócrino e nervoso, que vão contribuir para o aparecimento de co-morbilidades orgânicas e psicológicas e podem conduzir à perpetuação do fenómeno doloroso.»

Por outro lado, a dor crónica gera dificuldades de realização no indivíduo, na família e na comunidade, porque é impeditiva dum bom desempenho; leva a ausências, mais ou menos prolongadas, no trabalho; compromete o rendimento económico individual e familiar; e apresenta encargos pessoais e sociais.

Do ponto de vista social, o indivíduo e a família limitam os compromissos, pois nunca se sabe quando a dor é mais intensa e perturbadora, comprometendo a sua disponibilidade física e mental.

Quem sofre de dor crónica sabe que o quadro que pintei está muito incompleto, mas o espaço de que disponho é curto e a mensagem que pretendo transmitir é centrada na ideia da imperiosidade do controlo da dor para melhorar a qualidade de vida do nossos utentes. Para a qualidade dos serviços, segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) [3], «o alívio da dor deveria ser assumido como um dos direitos humanos fundamentais».

Desde 1999 que a preocupação com esta questão tem vindo a ser significativamente abordada e a criação de unidades de dor veio dar resposta ao Plano Nacional de Controlo da Dor (PNCD). Também os diversos profissionais de saúde têm mostrado preocupação em encontrar respostas adequadas, como foi o caso da Ordem dos Médicos, ao criar uma área de competência em medicina dedicada ao tratamento da dor e ao reduzir alguma da dificuldade que muitos médicos tinham na abordagem da dor. Também a Ordem dos Enfermeiros publicou o guia orientador de boas práticas [4], visando gerar maiores competências nos enfermeiros para entender e controlar a dor nos doentes que cuidam.

Os livros «Não sofra em silêncio» [5] e «Prontuário das unidades da dor portuguesas» [6] possuem um conjunto de informações úteis, que os doentes podem consultar na Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) [7] .

A dor crónica é muito debilitante; compromete a pessoa, a família e a comunidade. Os tratamentos que hoje existem têm uma grande eficácia e permitem controlar a dor e melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas e famílias portadoras de dor crónica. Peça ajuda ao seu médico de família e, se necessário, será encaminhado para as equipas das Unidades de Dor.

Agora, não diga que não lhe disse nada…

Saúde!

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