Por Ana Raimundo Santos

Em conversa com uma amiga, tecemos umas considerações interessantes, relativamente aos lugares onde já fomos felizes…

Os lugares onde fomos felizes tendem a deixar-nos uma doce saudade, quando ficamos algum tempo longe deles. São lugares que fazem parte de nós, que ajudaram, através dos momentos das nossas vidas que testemunharam, a fazer de nós aquilo que somos. Mas, nesses lugares, por vezes, fica apenas isso: a beleza e a memória da felicidade que neles experimentámos; e nem sempre o regresso nos faz sentir como esperávamos. Como canta o Rui Veloso:

Nunca voltes ao lugar
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz!

Esta música tem a sua razão de ser. Voltarmos aos lugares onde fomos felizes só faz sentido se for para, dalguma maneira, perpetuar essa felicidade. Se for só para recordar, então é melhor deixarmo-nos estar quietinhos, com a doce saudade que temos dentro de nós. Porque voltar para, apenas, recordar pode deixar-nos um sabor amargo na boca.

É curioso que, quando a saudade aperta no peito, tendemos a não pensar nestas coisas e só queremos deixar de senti-la. Mas, quando alguém nos fala dessa saudade que sente, apressamo-nos a desfiar o rol de recomendações que já sabemos de cor. Como me disse um amigo há uns tempos atrás:

— Não tens saudades daquele lugar. Tens é saudades do tempo que passaste lá!

E, na altura, ele tinha razão!!!

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