Por Carlos Lima

Carlos: Nos últimos tempos, tem-se assistido ao aumento do número de idosos e à diminuição do número de indivíduos jovens, conforme os dados do Instituo Nacional de Estatística de 2012 [1]. Esta situação pode dever-se aos sucessivos progressos na área da medicina, que conduziram a um aumento na esperança média de vida. Para nos falar de prevenção de quedas, tenho comigo a Vanessa Santos, que é aluna do terceiro ano do curso de Fisioterapia da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA). Vanessa, fala-nos um pouco da importância do envelhecimento activo e saudável.

Vanessa: Com o avanço da idade, surgem fragilidades que são normais, tais como a hipertensão, a diabetes, o aumento dos níveis de colesterol, as dificuldades visuais e auditivas, alterações no equilíbrio e na marcha, diminuição da força muscular e doenças articulares e ósseas, como a osteoartrose e a osteoporose. Em virtude deste conjunto de alterações que possam surgir, é extremamente importante proporcionar aos idosos um envelhecimento saudável e activo, para que possam ser autónomos, tenham qualidade de vida e consigam ainda fazer tarefas que ambicionem nesta fase da vida.

Carlos: Portanto, várias são as áreas onde se pode intervir, sendo que uma delas é na prevenção de quedas e na redução do medo de cair. O que é uma queda?

Vanessa: De certeza que qualquer pessoa um dia já caiu. Uma queda é o deslocamento de um corpo para um nível menor ao que inicialmente se encontrava, porque não teve tempo para evitar que isto acontecesse.

Carlos: Porque é que só se fala das quedas na terceira idade?

Vanessa: Não é por acaso que que isto acontece, porque a tendência é a frequência da ocorrência de quedas aumentar com a idade, podendo ser de 75% entre os 65 anos e os 74 anos de idade e de 90% em idosos com idade superior a 75 anos.

Carlos: Quais os factores que podem levar à queda?

Vanessa: As quedas podem ser provocadas por vários factores, como pelas alterações associadas ao envelhecimento que referi; por nesta fase se tomarem vários medicamentos, que podem perturbar o equilíbrio e provocar sonolência; por o acesso ser, por vezes, limitado aos cuidados de saúde; por elementos em casa não estarem bem, como a iluminação inadequada, entre muitos outros.

Carlos: Quais as consequências das quedas?

Vanessa: Podem acontecer várias coisas, com níveis de gravidade diferentes, como fracturas, internamentos, depressão, diminuição da interacção social, úlceras de pressão, aumento da dependência de terceiros e das despesas em saúde, medo de cair, entre muitas outras. Portanto, prevenir que isto aconteça é muito importante.

Carlos: Esta prevenção pode ser feita através de mudanças em casa e com a ajuda da Fisioterapia?

Vanessa: Em casa há várias estratégias, tais como:

  • Retirar os tapetes ou substituí-los por tapetes antiderrapantes;
  • Evitar arrumar objectos em locais altos;
  • Não sentar em sofás ou cadeiras baixos e sem braços de apoio;
  • Usar sapatos com sola antiderrapante;
  • Ter boa iluminação em qualquer sítio da casa, para que não seja necessário andar no escuro;
  • Não ter objectos ou fios espalhados no chão;
  • Preferir o uso de cortinas no sítio onde toma banho em vez da cabine;
  • Colocar barras de apoio na casa de banho;
  • Colocar tapete antiderrapante no chão onde toma banho;
  • Realizar exames oftalmológicos e físicos anualmente;
  • Manter bons níveis de cálcio e vitamina D através da exposição solar, mas nunca esquecendo dos cuidados a ter com o sol;
  • Garantir uma alimentação equilibrada, que garanta o aporte de proteínas necessárias à manutenção da massa muscular e das vitaminas necessárias a uma boa homeostasia e, por exemplo, à manutenção da qualidade da visão.

Carlos: E na fisioterapia?

Vanessa: Na fisioterapia, é possível prevenir com exercícios que permitam melhorar a força muscular, principalmente das coxas, pernas e pés; com exercícios de treino de equilíbrio, quer estático, quer dinâmico, ou seja, treino de equilíbrio quer parado quer em movimento; e muito importante também, através da educação, porque só assim é que é possível prolongar os efeitos das intervenções por mais tempo.

Carlos: Vanessa, o meu muito obrigado, mas peço uma pequena mensagem final…

Vanessa: Porque o idoso é alguém que ainda aprende, se exercita e sonha, comece a prevenir hoje, para que consiga realizar sonhos que ainda não concretizou, para poder brincar com os seus netos e fazer umas caminhadas com os seus amigos até ao café.

Carlos: Saúde!

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