Por Ana Raimundo Santos

Sempre tive um fascínio pelas palavras, especialmente pelas escritas. Recordo-me de que, quando entrei para a escola, queria era aprender a ler e a escrever. Queria poder ler os livros que a mana e a Ritinha liam, porque queria ser crescida, como elas. E, talvez por força dessa minha vontade de crescer, habituei-me, desde muito cedo, a ler. Comecei por devorar os livros da colecção «Uma aventura». Sabia-os de fio a pavio. Ainda hoje me recordo dalgumas das histórias desses livros. Deixava-me envolver pelas palavras e imaginava-me dentro da história. Fechava os olhos e conseguia ver, de modo inocente e infantil, como eram os lugares, as pessoas e todas as aventuras pelas quais as personagens passavam; e acreditava que tudo aquilo, dalgum modo, era real.

Depois cresci e as leituras mudaram um pouco de estilo. Mas, ainda assim, o meu fascínio pelas palavras escritas não diminuiu: antes pelo contrário, aumentou e continua em manifesta ascensão. Perco-me dentro duma livraria e não raras são as vezes em que tenho de me controlar para não comprar mais um livro. Faço sempre questão de lembrar a mim mesma a quantidade de livros que tenho por ler. Mas, às vezes, não resisto e lá compro mais um. Há paixões para todos os gostos e feitios — e esta é uma das minhas!

Mas, mais do que ler, adoro escrever. Escrevo muito. Especialmente cartas. Adoro escrever cartas e receber respostas. Hoje em dia, escrevo mais e-mails, é bem verdade, mas cada resposta que recebo consegue provocar em mim a alegria que antes sentia ao receber uma carta. Mas também há as outras, as que escrevo e não envio. A bem dizer, só o fiz em dois momentos da minha vida. Guardo-as como uma espécie de tesouro. São a memória escrita de momentos e sentimentos, umas vezes partilhados, outras incompreendidos. São parte do que sou e representam uma parte da minha aprendizagem como mulher e como pessoa. Os destinatários jamais a lerão, porque estas são mesmo só minhas!

As palavras escritas sempre fizeram parte de mim. Quando não as conhecia, tinha ânsia das aprender. Quando as conheci, jamais as deixei fugir.

As palavras escritas continuam a fascinar-me, hoje, tanto ou mais do que fascinavam quando era pequena e as queria só para mim…

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