Por Gustavo Martins-Coelho [a]

As privatizações baseiam-se em duas premissas: o aumento da concorrência aumenta a eficiência; e o sector privado gere melhor do que o público.

Após a privatização da EDP, os preços praticados pela companhia continuaram a subir. Mas dizem os entendidos que teriam subido mais, se não houvesse privatização…

A privatização da Cimpor transferiu o centro de decisão da empresa para o Brasil. Há menos emprego para os engenheiros nacionais e as suas equipas técnicas estão a ser desmembradas.

A futura privatização das águas vai fazer o negócio dar lucro, porque ninguém consegue viver sem água, seja a que preço for.

A privatização da ANA foi feita com promessas de que as tarifas aeroportuárias começariam a descer e que haveria novos investimentos nos aeroportos, incluindo um novo aeroporto para Lisboa. Afinal, a primeira decisão da ANA privatizada foi aumentar em 4,4 % as tarifas aeroportuárias. As nossas tarifas não eram concorrenciais. Agora, como são geridas por privados, são muito mais concorrenciais!

Eles privatizam e nós, cidadãos, consumidores, clientes e contribuintes, pagamos. Dá milhões a uns — e tira aos outros.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original, publicado no jornal «Expresso» [1].

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