Por Carlos Lima

Todos os anos por esta altura (chamada defeso) se observam movimentos de jogadores de futebol a preços absolutamente astronómicos. Podemos dizer que muitos deles são astros, que as carreiras são curtas, que existem direitos sobre os jogadores, que eles enchem estádios e por aí fora, mas a verdade é que não entendo como se pode pagar transferências de 95 milhões, mais os encargos com o jogador (salários também milionários, prémios, etc.) e ainda assim ganhar dinheiro para os outros encargos que os clubes têm. Quem me explica?

Já ouvi muitas explicações, mas nenhuma me convenceu — porque considero um exagero e porque os clubes europeus de topo continuam a acumular passivos, também eles astronómicos (e poucos questionam) [1] —, mas, se se tratasse de verdadeiras empresas, as torneiras do dinheiro já teriam fechado há muito tempo. Como se isso não bastasse, as ligas que lhes dão cobertura também dão prejuízo [2].

A imprensa em torno do futebol tornou-se sensacionalista e diria mesmo que mais de metade do que publica é falacioso e muito do que se fala não interessa a ninguém, mas é fácil publicar com base em rumores ou criando a necessidade de qualquer coisa; e têm um negocio para fazer render. Aqui, pergunto: até quando?

Na liga portuguesa, a fazer fé nos dados apresentados pelo Jornal de Negócios [3], os três clubes mais representativos (chamados de três grandes) apresentam passivos incomportáveis e mantêm-se à tona através duma engenharia financeira difícil de compreender; ou melhor, o difícil de compreender é ainda estarem autorizados a manter esse quadro, quando estão pendurados em instituições financeiras, numa altura em que as instituições financeiras parecem estar penduradas no Estado, que por sua vez está pendurado nas instituições internacionais e no bolso dos cidadãos.

Esta «pescadinha de rabo na boca» é curiosa, não fora abusiva, porque o cidadão não vai ao futebol porque se consciencializou que tem de poupar e porque os preços dos bilhetes são exorbitantes, mas eles encontraram forma de dar a volta, indo buscar dinheirinho ao bolso mesmo dos que não gostam de futebol.

Tudo isto assenta numa ideia que se cultiva muito — a chamada «cultura do Chico esperto» —, porque a consequência maior para quem gere mal é perder as eleições internas do clube (isto se não ganharem títulos) e os prejuízos ficam com «pai» mas «órfãos» de ressarcimento. Depois, fala-se de doações das autarquias, de perdões financeiros, de renegociações, de aumentos de capital, de interesses, etc. e de toda uma panóplia de situações que não lembram ao careca.

Diz-se por aí à boca cheia que o futebol é um negócio. Até pode ser — mas como pode um negócio acumular passivos que ultrapassam os próprios bens que as empresas têm para dar o aval a mais empréstimos? Especulação?…

Estou cansado de tentar entender… Se houver por aí algum génio, ou simplesmente alguém genial, por favor explique-me… Obrigado!

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