Por Carlos Lima

Como falámos numa crónica anterior [1], a transmissão nervosa dá-se ao longo do neurónio e deste para as células executoras, ou de acção (musculares, glandulares, etc.) e para outros neurónios. A transmissão de neurónio para neurónio dá-se nos botões terminais, ou sinapses [2].

Nas sinapses [3], é importante perceber que as células estão muito próximas, mas não se tocam, pelo que a transmissão do impulso nervoso se processa por meio de neurotransmissores (substâncias químicas). Sobre os diversos neurotransmissores [4], falaremos oportunamente.

A importância da sinapse e dos neurotransmissores reside no facto de regularem a transmissão do impulso nervoso. Enquanto, no neurónio, qualquer impulso é transmitido, na sinapse, é preciso que esse impulso atinja um determinado valor para ser transmitido; é o chamado valor linear mínimo de excitação.

Outro aspecto a ter em conta relaciona-se com o facto da condução nervosa dentro da sinapse acontecer apenas numa direcção, ou seja, desloca-se do botão terminal do telodendrito do neurónio anterior para os botões receptores nos dendritos do neurónio seguinte. Dito isto, cabe ao neurónio anterior transmitir os impulsos e ao neurónio posterior aceitá-los ou não, conforme a intensidade.

Neste ponto, acontece uma de três coisas: ou o impulso é suficientemente forte e ultrapassa o limiar de excitação e é transmitido; ou o impulso é forte mas não ultrapassa o limiar de excitação, ficando muito próximo dele e aí não há transmissão, mas tem um carácter facilitador para os impulsos seguintes; ou simplesmente o impulso não tem intensidade suficiente e é ignorado [5].

Como o neurónio receptor, ou pós-sináptico, recebe estímulos de vários neurónios emissores, ou pré-sinápticos, tem de analisar os impulsos em conjunto e «decidir» o que fazer com eles, segundo os critérios atrás descritos.

Acontece que o impulso que é transmitido dentro do próprio neurónio é eléctrico e o impulso transmitido na sinapse é químico (neurotransmissores), voltando a ser eléctrico no neurónio seguinte. Esta conversão acontece com a estimulação das vesículas, ou bolsas, de neurotransmissores presentes no neurónio pré-sináptico, que libertam o neurotransmissor (habitualmente um neurotransmissor por neurónio) na chamada fenda sináptica, e pela activação dos receptores dos neurotransmissores do neurónio pós-sináptico. Tudo isto acontece tão rápido que nem temos a percepção disso e tudo parece acto contínuo.

A forma como cada neurotransmissor afecta os receptores tem muito que se lhe diga e dela falaremos depois. Agora, importa recordar que a neurotransmissão entre neurónios acontece no botão sináptico, que existe uma conversão do estímulo eléctrico em estímulo químico e que este se torna novamente a eléctrico; que este botão sináptico tem importância na regulação da propagação do impulso nervoso e que é facilmente influenciado pela acção de medicamentos e drogas, podendo agir como facilitadores da transmissão ou como inibidores. Uma das doenças mais frequentes que estão relacionadas com a sinapse e com os neurotransmissores é a doença de Parkinson [6].

 Saúde!

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