Por Jarrett Walker [a]

Como parte do seu «Projecto de efectividade do transporte colectivo» [2], a Muni de São Francisco propôs finalmente, em 2009, um plano consistente de espaçamento entre paragens, que envolvia a remoção de muitas paragens que estão demasiado perto [3].

O espaçamento entre as paragens é importante, porque, se conseguirmos que as pessoas se concentrem em menos paragens, obteremos um serviço mais rápido.

Numa linha desenhada para fornecer um serviço local contínuo (por oposição a um serviço expresso ou «rápido»), as paragens devem ser colocadas tão distantes quanto possível umas das outras, conquanto se mantenham acessíveis. A Muni sugere um espaçamento de 250–300 m em terreno plano. Isso significa que, uma vez na rua onde o autocarro passa, o passageiro pode ter de caminhar 150 m até chegar a uma paragem. Actualmente, as paragens encontram-se, frequentemente, muito mais perto.

Politicamente, no entanto, a remoção de paragens é difícil. As pessoas cujas viagens passam a ser mais rápidas não fazem habitualmente comentários positivos quando tais alterações são propostas, mas as pessoas que perdem a sua paragem, os seus vizinhos e os amigos fazem barulho. Deste modo, essas propostas acabam muitas vezes na gaveta.

A Muni foi inteligente em fazer todas as alterações duma só vez, integradas num plano consistente para toda a cidade. No passado, o departamento de planeamento, por vezes, tentava remover uma paragem de cada vez, mas essa abordagem dava a aparência de que a Muni estava a escolher aleatoriamente certas pessoas em particular. Uma política consistente de espaçamento entre paragens para toda a cidade elimina esse argumento, porque fica claro que o objectivo é criar um sistema lógico e coerente para todos. É bom ver, também, que o plano recebeu comentários positivos de pessoas que entenderam que o transporte colectivo precisa de ser mais rápido.

Eu diria que isto deveria ter sido feito há décadas, mas, sendo eu um antigo activista em São Francisco, na era pré-Internet, duvido de que pudéssemos ter reunido as vozes das pessoas que querem o transporte colectivo mais rápido. O activismo, naquele tempo, era feito à base de reuniões — e só lá vai quem tem opiniões realmente fortes sobre o tema a discutir. Graças à Internet, agora é fácil fazer um comentário sobre algo a respeito do qual se tem uma opinião apenas marginalmente vincada. Esse é o tipo de sentimento que a maioria das pessoas terá acerca duma proposta que tornará o seu trajecto 2–3 minutos mais rápido, através da remoção dalgumas paragens. Mas, se esperamos que os líderes tenham a coragem de melhorar a eficiência do transporte colectivo, esses sentimentos mornos — sentimentos que podem motivar um comentário num blogue, mas nunca trariam alguém a uma reunião pública — são exactamente o que precisamos de ouvir.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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