Por Alice Santos

Devido a factores vários, no mês de Julho foi impossível partilhar convosco um dos meus poemas. Agora que Agosto chegou e com ele as férias se aproximam, quero deixar-vos algo de cariz mais leve… ou talvez não!… A época é propícia ao descanso, mas também aos desportos aquáticos, a uma boa praia ou passeio no campo, mas, acima de tudo, ao romantismo ao pôr-do-sol. No fundo, ao encantamento e ao amor… Que melhor entardecer, do que ficar ouvindo o marulho das ondas, o canto da brisa por entre a folhagem, o chilreio dos pássaros nos campos, o riso das crianças brincando… ou, para os amantes da escrita, sentir na ponta dos dedos a carícia das folhas dum bom livro… se puder ser de poesia… tanto melhor…

Por tudo isto, partilho convosco um poema que foi escrito com o propósito de ser publicado numa colectânea dedicada à poesia erótica.

Nossos corpos
in Traição da psiquê: poesia do amor e do erotismo
Lugar da Palavra Editora
2009

Lá fora a chuva,
ora suave ora forte
embala nossos corpos.
Teus lábios partem à descoberta,
suaves em meu ouvido
descem a meu pescoço,
que se deleita,
procuram minha boca que os bebe gulosamente,
num ósculo orvalhado
de paixão, amor, prazer.
Aromas misturados nas salivas de um só!
Meus seios esperam ansiosos
tua boca húmida que os provoca.
Meu corpo arqueado vibra,
entrega-se à finura de tuas mãos feiticeiras,
à loucura dos teus beijos,
que sugam cada poro meu.
Lá fora a chuva
torrencial fustiga os vidros da janela.
Nossos corpos fundem-se
entre arrepios e gemidos.
Em êxtase,
o suor dos nossos corpos esgotados,
escorre no calor do cansaço,
do prazer mútuo.

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