Por Sara Teotónio Dinis

ap.nei.a
nome feminino;
do grego ápnoia, «falta de respiração»;
suspensão momentânea da respiração.

in Infopédia [1]

Há a apneia respiratória e depois há a apneia mental — ou seja, o estado em que o cérebro não respira, de tão ocupado que está — com trabalho, preocupações, horários, compromissos, prazos, tarefas e quilómetros (e também com aquela história da antena de rádio, roubada do carro há nove meses).

A apneia mental custa a suster e, apesar de incómoda, quando em último grau permite atingir a iluminação da verdade de que todo o tormento o é por culpa das expectativas de quem o carrega, como concluiu Bruno com a sua célebre frase:

— A vida é um jogo de expectativas.

Ou seja, as do próprio em confronto com a sua realidade — a felicidade sobeja do que resta da realidade quando se lhe subtraem as expectativas.

São as expectativas que impulsionam a acção — negá-lo seria contrariar a existência dos sonhos e dos objectivos que nos levam a percorrer quilómetros de suor e lágrimas.

Há quilómetros e há quilómetros. Há aqueles entre dois sítios, que se percorrem num sentido e depois noutro, todos os dias; e depois há aqueles entre dois sítios, que se percorrem num sentido e depois noutro, uma só vez na vida. Bem esticados, os últimos vêm com a benesse de nos levar a destinos onde ninguém percebe a nossa língua — o que permite o término (ou suspensão) da apneia e a tão necessária libertação semântica sem prejuízo da integridade.

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