Por Gustavo Martins-Coelho

O filósofo Hegel previu que, um dia, a História chegaria ao fim [1]. Nesse dia, afirmava ele, a humanidade atingiria um ponto de equilíbrio, resultante de se ter atingido o melhor regime político e social possível, e terminando, portanto, a evolução humana.

Com a queda do muro de Berlim, os filósofos contemporâneos apressaram-se a proclamar o fim da História nos termos hegelianos, mas talvez se tenham apressado tanto quanto o jornalista que escreveu o obituário do escritor Mark Twain, ao qual ele reagiu, dizendo:

— Parece-me que as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas.

A mim, que pouco percebo de História, também parece que as notícias sobre o seu fim são manifestamente exageradas e que a máscara tecnocrática com que têm pretendido vender-nos as opções políticas dos últimos anos não passa disso: duma máscara, destinada a ocultar as restantes opções e deixar a que sobra como sendo a única alternativa possível.

Tendo em conta esta minha desconfiança das soluções únicas, desafiei quatro pessoas, doutros tantos quadrantes ideológicos, a proverem a «Rua da Constituição» [2] com as suas diversas visões a respeito dos temas que lhes são mensalmente propostos pelos editores, esperando que elas sejam capazes de provar, pela forma como abordam cada uma das questões, que não só a História não morreu, como o debate ideológico está de boa saúde.

Achei pertinente recuperar o nome «Ágora Lusitana» [3] para a coluna, que arranca, já hoje, com um artigo do Nuno Albuquerque Matos [4]. Nas próximas semanas, seguir-se-ão a Isabel Pinho [4] (19 de Setembro), o Nuno Rodrigues [4] (26 de Setembro) e o Tiago Barbosa Ribeiro [4] (3 de Outubro). A partir de 10 de Outubro, depois dos quatro terem respondido ao seu primeiro tema, haverá uma nova ronda, a quatro, sobre um novo tema, e assim sucessivamente.

Bem-vindo à continuação da História!

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