Por Gustavo Martins-Coelho

Sábado, 6 de Agosto de 2005. Roterdão é uma cidade ultramoderna, apesar da sua longa história, o que se explica pelo facto de ter sido praticamente arrasada pelos bombardeamentos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial. Assim, os edifícios mais antigos que encontrámos foram a Câmara Municipal e a Igreja de S. Lourenço, encravados entre paredes de vidro e aço e experiências arquitectónicas.

Lijnbaan é uma rua comercial por excelência. Tem a vantagem de ter coberturas em frente às lojas, pelo que, faça chuva ou faça sol, o comércio pode correr. No entanto, preferimos as Galerias St. Hubert de Bruxelas [1]. Virando à esquerda, vimos logo o World Trade Center, um edifício verde garrafa e elíptico. Daí, fomos para o Porto Velho, com escala no Mercado e numas casinhas amarelas em forma de cubo, bastante engraçadas. O Porto Velho foi das poucas coisas de Roterdão que resistiram à fúria dos bombardeios alemães. É lá que fica a Casa Branca, que, com onze andares, foi o primeiro arranha-céus da Holanda…

Fomos até à beira-rio e vimos as duas pontes: o «cisne» da Ponte Erasmo e a Ponte Guilherme. Daí, atravessámos meia cidade para ver a Torre Euromast, com os seus oitenta e cinco metros de altura. O preço da subida, aliado ao cansaço, fez-nos ficar com os pés bem assentes na terra.

A tarde foi reservada aos celebérrimos moinhos. Alugámos duas bicicletas, perdemo-nos pelo caminho, atravessámos o rio de barca e estafámo-nos, mas permanecemos secos (contra os agoiros da senhora que nos forneceu as bicicletas) e pudemos apreciar os dezanove moinhos que a Unesco considera Património da Humanidade.

Depois dos moinhos, seguiu-se um novo contra-relógio, de regresso a Roterdão, a fim de conseguir apanhar o comboio com destino a Utreque. Cansámo-nos bastante (para não dizer que ficámos exaustos), mas conseguimos chegar à loja onde alugáramos as bicicletas e à pousada, que ficava por cima desta, seis minutos antes da hora marcada para a partida do comboio e, para poupar tempo, dividimos tarefas: o foi levantar as mochilas à pousada e o Guê ficou encarregue de devolver as bicicletas e recuperar o valor da caução. Aí, forças ocultas moveram-se e a senhora que estava na loja (a mesma que nos desejara mau tempo, à partida), ao perceber a nossa aflição de horários, em vez de se despachar, foi preparar um chocolate quente, enquanto dizia que não conseguiríamos apanhar o comboio. Quando, finalmente, decidiu pôr-se a mexer, faltavam quatro minutos para a partida. Entretanto, o continuava atolado no meio da fila do check-in, a tentar fazer check-out, pois a recepção daquela pousada é a confusão, não em pessoa, mas em balcão. Três minutos… Dois minutos… Um minuto… O comboio partiu. Sem nós.

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