Por Jarrett Walker [a]

2015091700Deparei-me, há quatro anos, com um bom artigo sobre a reforma dos serviços de autocarro em Seul, na Coreia do Sul.

A cidade de Seul fez algo que eu ouvi muitas vezes as pessoas pedirem: um esquema de cores universal e simples, que ajuda a tornar a estrutura da rede de autocarros óbvia. As quatro cores dos autocarros correspondem a quatro tipos de serviços:

  • Os autocarros azuis percorrem corredores bus no separador central das principais avenidas e parecem ser principalmente radiais (de e para o centro urbano).
  • Os autocarros verdes são serviços de acesso às principais estações, servindo zonas locais restritas.
  • Os autocarros vermelhos são «expressos» de e para os subúrbios. Não é completamente claro se este expresso é um suburbano que circula à hora de ponta ou um serviço frequente durante todo o dia (que eu costumo chamar de «rápido»). «Expresso» é uma palavra traiçoeira [2].
  • Oa autocarros amarelos são linhas de cintura, tendendo, portanto, a serem perpendiculares aos azuis e aos vermelhos.

Eu não estou seguro quanto ao que pensar desta classificação. Normalmente, prefiro fazer distinções sobre a frequência e a extensão temporal do serviço, mas, se as frequências gerais forem altas, consigo certamente ver o valor deste sistema. Numa cidade com uma clara distinção entre as direcções radial e orbital, que Seul parece ter, as distinções provavelmente podem ajudar as pessoas a orientar-se relativamente à direcção em que se deslocam e distinguir a direcção geral que cada autocarro vai tomar.

O mesmo raciocínio se estende ao sistema de numeração. Tradicionalmente, a maioria das grandes áreas urbanas tem uma numeração com base em áreas mais restritas, enquanto, de facto, pode fazer mais sentido numerar as linhas de forma a aumentar a distinção entre os diferentes tipos de serviço.

A maioria das grandes cidades, porém, simplesmente não tem o controlo centralizado do sistema que permita fazer isso. A Metro de Los Angeles tem feito um esforço com a sua distinção entre serviços rápidos e locais, mas a maioria dos esquemas de cor está vinculada às marcas dos operadores municipais, cujo serviço se interliga com o da Metro. As cidades com uma única agência de transporte colectivo consolidada poderiam fazê-lo. Na Austrália, qualquer governo estadual poderia fazê-lo, embora ele tivesse de assumir o controlo das frotas que são actualmente detidas por empresas privadas.

Obviamente, o esquema de Seul implica sacrificar a «flexibilidade operacional», em termos de ser capaz de disponibilizar qualquer autocarro em qualquer linha. De vez em quando, em Los Angeles, vê-se um autocarro local numa linha rápida e vice-versa. Creio que Seul resolveu esse problema, fazendo todos os autocarros duma cor partirem duma base operacional, muitas vezes com um operador subcontratado diferente, de modo que os sistemas são funcionalmente isolados.

Se o leitor tiver estado em Seul e visto este sistema em acção, por favor partilhe as suas impressões.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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