Por Carlos Lima

A transmissão nervosa ocorre na fenda sináptica [1], através de mediadores químicos chamados de neurotransmissores. São conhecidos cerca de sessenta neurotransmissores com acção documentada, existindo mais algumas substâncias das quais se suspeita desempenharem funções de neurotransmissores. Para que o organismo humano encontre o equilíbrio, alguns têm a função de dar continuidade ao estímulo (função excitatória), enquanto outros têm a função de parar ou impedir a progressão do estímulo (função inibitória).

Os neurotransmissores são produzidos pelo neurónio [2], nos dendritos, e armazenados em vesículas sinápticas. Quando o neurónio é estimulado, são libertados na fenda sináptica, de forma a dar continuidade ou a inibirem a transmissão do impulso nervoso. Para que os neurotransmissores actuem, é necessário que sejam libertados na fenda sináptica e activem os receptores na placa pós-sináptica.

Apesar de se conhecerem muitos neurotransmissores, existem alguns mais conhecidos e com acção muito bem documentada. Aqui falaremos apenas de sete — não por serem mais importantes, mas por serem os mais comuns e por estarem envolvidos na maior parte das neurotransmissões.

Temos então: acetilcolina, dopamina, noradrenalina, serotonina, ácido gama-aminobutírico (GABA), substância P, encefalinas e endorfinas [3].

A acetilcolina encontra-se presente no córtex cerebral e em todas as junções neuromusculares. Tem a função de excitação e dar continuidade ao estímulo. O bloqueio dos receptores da acetilcolina conduz à miastenia grave [4], que se caracteriza por fadiga rápida e fraqueza muscular.

A dopamina está presente no encéfalo; tem função excitatória, desempenha um papel importante nos estados emocionais e nos movimentos automáticos dos músculos. A diminuição da produção de dopamina aparece associada à doença de Parkinson [5], devido à morte dos neurónios produtores.

A noradrenalina [6] encontra-se em todo o sistema nervoso central (SNC) e tem função excitatória. Está associada aos estados de vigília (acordado), aos sonhos e à regulação do humor.

A serotonina encontra-se no SNC, tem acção inibitória e associa-se à indução do sono, à interpretação que o cérebro faz dos estímulos sensoriais e ao controlo do humor.

O GABA está presente no encéfalo, tem acção inibitória e aparece como alvo preferencial dos medicamentos ansiolíticos (para a ansiedade), pois estes potenciam a sua acção.

A substância P encontra-se nas fibras sensitivas e está relacionada com a percepção da dor. Aparece associada à fibromialgia [7], porque existe um aumento de substância P e, naturalmente, uma maior sensibilidade à dor.

As encefalinas são encontradas em todo o sistema nervoso; inibem os estímulos da dor, contrariando a acção da substância P.

As endorfinas [8] estão presentes na hipófise e no cérebro e inibem a sensação de dor, anulando a acção da substância P. Aparecem também associadas às sensações de prazer, à memória e aprendizagem, à função sexual e à regulação da temperatura corporal. Alguns estudos procuram demonstrar a diminuição das endorfinas na depressão e na esquizofrenia, associada à diminuição da serotonina. Os receptores das endorfinas são sensíveis à acção dalgumas drogas (comportamentos de dependência) que circulam no mercado, mas o seu consumo leva à diminuição da produção de endorfinas, pelo que a sensação de bem-estar vai diminuindo e é necessário aumentar as doses para obter o mesmo efeito.

Os neurotransmissores ajudam à transmissão e inibição dos impulsos nervosos. Estão presentes em todo o sistema nervoso e são fundamentais para o equilíbrio corporal, para a percepção dos estímulos sensoriais e para o controlo da dor.

Saúde!

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