Por Carlos Lima

É a emoção que prende o espectador de futebol ao jogo — e nem consigo imaginar o futebol sem essa emoção!

Emoção pelo desporto em si, emoção pela trama que se desenvolve dentro do campo, pela envolvência do jogo e pela afectividade para com algumas equipas. Mesmo quem não gosta muito de futebol tem um clube do coração, que coloca acima dos outros e pelo qual também sente simpatia.

Quando vejo um jogo entre equipas que nada me dizem afectivamente, só consigo permanecer se o espectáculo proporcionado tiver qualidade e emoção e me envolver. A emoção da arte expressa na finta, na jogada bem estruturada, na qualidade do empenho e na incerteza do resultado.

Como treinador, vejo futebol, porque gosto de analisar a dinâmica dentro do campo e de pensar como surgiu; analisar o trabalho desenvolvido ao longo do tempo, para chegar a desempenhos daqueles níveis. Gosto de idealizar exercícios que possam desenvolver aquelas capacidades e perceber a ligação entre os jogadores, porque existem equipas que parecem jogar de olhos fechados e existem grupos que têm jogadores que praticamente não são servidos.

Não sei se vejo o futebol de forma diferente dos outros, mas dou por mim muitas vezes a pensar por que me prende o jogo e o que me levou a optar por um clube preferencialmente — o clube do coração.

A resposta, apesar de tudo, parece óbvia, porque, quando formei opinião sobre o assunto, o clube ganhava mais vezes e tinha alguns jogadores que mexiam com o meu imaginário.

Isso explica que as fases em que determinado clube ganha mais vezes, ou tem um craque fora de série, apanhe as crianças para as suas fileiras. Com a internacionalização dos jogadores e com as transmissões televisivas a toda a hora, esse clube pode nem ser do próprio país.

Ter um clube do coração gera grupos de amigos, porque têm um tema e vivências em comum. Quando de forma civilizada, gera grupos de discussão com simpatizantes doutros clubes; mas, por favor, não me falem em mística, porque ela não se fala, sente-se, vive-se quando um estádio se cala para a marcação dum penálti, ou quando um estádio explode, no momento dum golo.

Emoções tão fortes podem ser associadas a vivências de fé, essa fé que dizem mover montanhas e que nos faz acreditar que os nossos homens vão conseguir dar a volta, mesmo quando as coisas estão difíceis, e partilhar com eles a tristeza ou a alegria. Eu acredito que os jogadores e treinadores também têm emoções muito fortes em relação ao resultado, ainda que uns se manifestem mais do que outros. Ainda que aceite, que por vezes, interesses mais altos se levantem (outras núpcias…).

Para mim, os jogos colectivos são, de forma geral, muito apaixonantes; o futebol é sem dúvida o que melhor conheço e aquele de que mais gosto. Isto significa que tenho a minha afectividade vinculada ao clube do coração e muita simpatia pelos clubes onde já treinei, mas que, acima de tudo, me sinto cativo do futebol.

Anúncios