Por Nuno Rodrigues

Está quase… Está mesmo quase a chegar o tão aguardado dia das eleições, que dizem ser as mais importantes na história da nossa jovem democracia.

O título diz-nos que será «o primeiro dia do resto das nossas vidas». Será realmente isso? Será, de facto, o primeiro dia do resto das nossas vidas, ou a continuação da mesma vida, mas com intérpretes diferentes? Mudaremos de estilo musical, ou assistiremos a uma troca de músicos? Ou, simplesmente, não mudaremos nada?

Gostaria de ser optimista e de acreditar que, no dia 5 de Outubro, seria implantada a confiança na democracia e no nosso país — mas não acredito…

Caso se confirme a vitória da coligação PaF (PSD-CDS) ou do PS, as políticas serão exactamente as mesmas que nos colocaram na situação em que Portugal hoje se encontra. Ou o leitor acredita que quem nos colocou nesta situação conseguirá tirar-nos dela?

Foram eles que nos colocaram na UE, então chamada CEE, que nos destruiu a indústria pesada, os têxteis, a agricultura e as pescas. Foram eles que nos tiraram a soberania monetária, com a entrada na moeda única. Foram eles, com as suas políticas, que despovoaram o interior do País, através de construções faraónicas de auto-estradas no litoral, esquecendo-se por completo do interior de Portugal. Foram estes mesmos actores que liberalizaram o mercado de trabalho, lançando para a precarização a geração mais qualificada que algum dia Portugal formou. Foram exactamente estes mesmos partidos que colocaram o nosso País nas mãos estrangeiras, pela terceira vez em quarenta anos de democracia. Foram estes mesmos que introduziram as propinas no Ensino Superior Público. Foram eles que lançaram o ataque ao Serviço Nacional de Saúde. Foram eles que «convidaram» milhares e milhares de jovens a emigrar, para poderem, simplesmente, viver. Foram eles… Foram sempre eles!!!

Um «primeiro dia» é necessário! Um «primeiro dia» com um governo patriótico, defensor da soberania nacional e que não preste vassalagem à Europa alemã. Um «primeiro dia» com um governo que olhe para a cultura e para a educação como os pilares basilares e estruturais do País, tornando esta última universal e tendencialmente gratuita, tal como vem proclamado na Constituição da República Portuguesa. Um »primeiro dia» com um governo que reponha imediatamente os vencimentos, os subsídios e as pensões roubados aos Portugueses. Um «primeiro dia» com um governo que alargue o prolongamento do acesso ao subsídio de desemprego, esse mal que afecta milhares de jovens no nosso país. Um «primeiro dia» com um governo que aplique um aumento real no valor das pensões. Um «primeiro dia» com um governo que combata a precariedade e que respeite os direitos dos trabalhadores, promovendo a contratação colectiva pelas empresas. Um «primeiro dia» com um governo que taxe seriamente os grandes grupos económicos e financeiros e as transacções na bolsa. Um «primeiro dia» com um governo que ponha termo a todas as parcerias público-privado e reverta as subconcessões da STCP e do Metro do Porto e de todas as privatizações feitas até então, sendo o Estado a gerir na íntegra o que a todos nós pertence. Um «primeiro dia» tão necessário para a reposição dos valores de Abril…

Veremos o que nos traz o próximo dia 4. Está nas mãos do povo essa mudança! Esperemos que, tal como nos cantou e encantou Sérgio Godinho, seja «o primeiro dia do resto das nossas vidas».

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