Por Carlos Lima

A dopamina é o neurotransmissor [1] que está no centro do sistema dopaminérgico. É produzida pelos neurónios do sistema nervoso central (SNC) e é armazenada nas vesículas pré-sinápticas [2] . Quando libertada, actua sobre os receptores da dopamina, dos quais existem cinco tipos diferentes (D1 a D5), e é reabsorvida, para voltar a entrar no circuito dopaminérgico.

Desempenha funções:

  • sobre a capacidade de concentração ou atenção, pelo que favorece a cognição ou conhecimento;
  • nos processos de motivação e de recompensa emocional, pelo que a sua diminuição ou o seu aumento influenciam os estados de humor, podendo variar entre a depressão (falta) e a euforia (excesso);
  • sobre a regulação do sono;
  • sobre a coordenação do movimento — a sua diminuição produz tremuras, como é o caso da doença de Parkinson, e o seu aumento leva ao aparecimento de movimentos descoordenados involuntários, chamados de «tiques»;
  • sobre a circulação, fazendo aumentar a tensão arterial, por vasoconstrição das artérias periféricas (mais afastadas do coração) e aumentando o fornecimento de sangue aos órgãos vitais, o que se mostra particularmente útil em situações de hemorragia grave, pois concentra o sangue para os órgãos vitais e aumenta a força do batimento cardíaco. É utilizada como medicamento para este fim [3];
  • na inibição da acção da prolactina [4] ou hormona relacionada com a produção de leite. Sem a acção da dopamina, a mãe perderia leite involuntariamente, mesmo no intervalo entre as mamadas;
  • na inibição do vómito;
  • na inibição da sensação de dor, sendo que a baixa de dopamina aumenta essa sensação.

A acção e actuação da dopamina nos receptores pós-sinápticos é rápida, seguindo-se a degradação da mesma e o seu reaproveitamento, para reentrar no ciclo.

Nas doenças do comportamento, como a depressão e a esquizofrenia, há alterações da produção da dopamina, sendo que é diminuída na depressão (daí a ausência de vontade para a actividade) e aumentada na esquizofrenia, com a presença de quadros de euforia.

As drogas, tais como a cocaína e as anfetaminas, estimulam a produção de dopamina, razão pela qual aparece a sensação de alívio e de bem-estar; como a dopamina se degrada rapidamente, para manter os mesmos efeitos de recompensa é necessário aumentar as doses e chega-se ao ponto em que nem o aumento da dose funciona, tornando-se o efeito de recompensa cada vez mais fugaz, sendo necessário aumentar o número de doses consumidas e reduzir o intervalo de tempo entre as mesmas.

Uma alimentação saudável com alimentos ricos em tirosina, associados a exercício físico, ajuda na produção dopamina [5].

A dopamina é um neurotransmissor fundamental para o movimento, atenção e aprendizagem. Está no centro do sistema de prazer e recompensa, pelo que aparece associado às coisas que nos dão prazer.

Saúde!

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