Por Carlos Lima

A serotonina é um neurotransmissor [1] que regula um conjunto de funções orgânicas relacionadas com o equilíbrio basal do corpo humano, como o sono, os ritmos circadianos, a temperatura [2], a função sexual, o humor, a sensibilidade à dor [3], o apetite, as funções motoras e as cognitivas.

É um composto orgânico, presente no sangue [4], nos intestinos [5], nas plaquetas [6] e no cérebro [7]. Também está presente nos animais e é incluído em venenos, como os do escorpião e da vespa. Não atravessa a barreira hematoencefálica [8], ou seja, não passa do sangue para o líquido cefalorraquidiano, mas o seu precursor, o triptofano [9], consegue fazê-lo. O cérebro consegue produzir serotonina, a partir do triptofano.

Depois de libertada na fenda sináptica [10], actua sobre os receptores específicos (serotoninérgicos) e é degradada pela acção da enzima monoaminoxídase.

Na regulação do sono, ela aparece associada à acetilcolina [11] e promove a entrada no sono, ou, se quisermos, previne a insónia. Quando o sono se instala, a serotonina vai baixando; e é na fase mais profunda do sono que a serotonina está mais baixa. Em oposição, podemos dizer que também age sobre a vigília, ou atenção, pois níveis mais altos de serotonina tornam-nos despertos.

A serotonina promove a produção de melatonina [12]. A produção de melatonina é influenciada pela luz solar, que inibe a sua formação. Quando deixa de existir luz solar, a produção de melatonina sobe, informando o corpo de que chegou a hora de dormir. A produção de melatonina por estimulação da serotonina permite-nos manter a adaptação ao sono e à vigília e ajuda a manter em equilíbrio a temperatura corporal e os ritmos circadianos.

A serotonina regula o apetite através da actuação ao nível do hipotálamo, promovendo a sensação de saciedade ou satisfação. Quando a serotonina baixa, a tendência para procurar alimentos ricos em hidratos de carbono [13] aumenta — e o risco de obesidade também. Já o aumento da serotonina pode conduzir à anorexia ou ausência de vontade de comer.

A serotonina é um dos neurotransmissores que mais facilmente influencia os estados de humor. Quando a serotonina baixa, a pessoa sente ansiedade, irritação e choro fácil, sinais que aparecem associados à depressão [14]. Alguns antidepressivos trabalham para contrariar a degradação da serotonina, aumentando desta forma a disponibilidade de serotonina na fenda sináptica.

A serotonina inibe a libertação dalgumas hormonas sexuais, nomeadamente as gonadotrofinas, pelo que condiciona a actividade sexual. Mais serotonina — menos apetência sexual.

A serotonina é o neurotransmissor que regula a interpretação das sensações (sentidos), incluindo a sensação dolorosa [15]. Quando a serotonina aumenta e fica elevada por muito tempo, os receptores ficam saturados e deixam de reagir. Isto funciona como se não existisse serotonina e os estímulos sensitivos ficam desregulados. É esta a razão por que a enxaqueca aparece e é complexa de tratar.

A serotonina também age sobre a actividade muscular, pelo que aparece associada às cólicas intestinais e aos sintomas da tensão pré-menstrual, causando contracções uterinas dolorosas.

A serotonina é um neurotransmissor que aparece ligado à depressão, porque é ela que regula os estados emocionais ou de humor. Desempenha muitas outras funções relacionadas com o bem-estar corporal. Os seus desequilíbrios geram uma reacção em cadeia, conduzindo a alterações física e psicológicas.

O seu fornecimento alimentar dever ser feito por alimentos ricos em triptofano, pois é o precursor da serotonina e é capaz de passar a barreira hematoencefálica.

Saúde!

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