Por Gustavo Martins-Coelho [a]

As últimas eleições autárquicas mostraram que os aparelhos partidários representam uma parte minoritária da vontade dos militantes reais e ainda mais reduzida dos eleitores e apenas têm resistido à renovação, porque não foram ainda desafiados internamente por novos protagonistas com reputação e credibilidade junto dos eleitores.

Estas eleições demonstraram que, se a sociedade entrar dentro dos partidos, constituirá a maioria dos militantes e os seus votos e acções serão decisivos para renovar dirigentes e candidatos, não havendo «aparelho partidário» que lhe resista. Porém, é a própria sociedade que, mantendo-se fora dos partidos, impossibilita a renovação dos mesmos. A vitória do Rui Moreira no Porto é a prova que os «aparelhos partidários» valem pouco contra candidatos fortes e com um discurso de mudança.

Para mudar os partidos e a política em Portugal para melhor, é fundamental convencer disto a sociedade.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original, publicado no jornal «Público» [1].

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