Por Carlos Lima

O ácido gama-aminobutírico, ou GABA, abreviado do Inglês, é o principal neurotransmissor [1] inibidor do sistema nervoso central (SNC) no adulto, provocando sedação e relaxamento. Assume um papel importante na regulação da transmissão dos impulsos nervosos e na regulação do tónus muscular.

O GABA desempenha papéis diferente ao longo da vida. No bebé e na criança, enquanto se verifica o desenvolvimento mais acentuado do cérebro, tem um papel excitatório; na idade adulta, desempenha um papel inibitório.

O GABA tem influência no desenvolvimento dos neurónios do feto e da criança, pois regula o crescimento das células estaminais embrionárias e ajuda na diferenciação das células neurais que dão origem aos neurónios [2] — razão pela qual aparece ligado ao desenvolvimento do cérebro, explicando o facto de ter efeitos diferentes até à maturidade cerebral.

Durante o sono, produz relaxamento e bem-estar, melhorando a qualidade do sono, e estimula a libertação de hormonas do crescimento, justificando a ideia de que é durante o sono que se cresce. É também durante o sono que ajuda na reparação dos tecidos musculares, entre outros, lesados pelo esforço físico.

Como exerce um efeito reparador do corpo e do cérebro durante o sono, é muito importante para o desempenho cognitivo e físico de qualidade.

O sistema gabaérgico [3] caracteriza-se por receptores específicos para o GABA, que inibem e regulam a acção de outros neurotransmissores. Existem três tipos de receptores GABA: GABAa, GABAb e GABAc. Os mais comuns são os recetores GABAa e os mais lentos na sua actuação são os GABAc, o que prolonga a acção por mais tempo, podendo ter uma duração dez vezes superior à exercida sobre os receptores GABAa.

Como têm função inibitória da neurotransmissão, são local de acção privilegiado dos ansiolíticos, tranquilizantes, antiepilépticos, neuroesteróides e álcool [4].

Os receptores GABAb estão envolvidos na acção cerebral do etanol ou álcool [5] — daí o efeito de bem-estar e relaxamento produzido pelo álcool; mas, quando em quantidades elevadas, este limita a capacidade de reacção e a condução dos estímulos para o cérebro e dentro do próprio cérebro. Menos estímulos sensoriais e menor qualidade de percepção levam a menor capacidade de decisão, ou seja, o álcool influencia a capacidade de percepção e, ao mesmo tempo, limita a capacidade de acção. Se juntarmos a grande afinidade que os receptores GABAc têm com a retina, no olho, limitando a percepção dos estímulos visuais, temos razões mais do que suficientes para recomendar a quem bebe que não conduza.

Outro efeito do álcool é que vai destruindo e alterando os receptores do GABA, quando existem intoxicações alcoólicas ou estados de embriaguez frequentes, condicionando ou limitando todos os efeitos benéficos da actuação do GABA.

A cafeína tem acção excitante, pois diminui a libertação de GABA na fenda sináptica [6].

Alguns cogumelos produzem efeitos relaxantes e alucinogénios por acção sobre os receptores de GABA. Os mais tóxicos ocupam estes receptores de forma permanente, o que leva à paralisia e à morte [7] .

O GABA é um neurotransmissor que regula a acção de muitos outros neurotransmissores. A sua ação varia ao longo da vida. Os receptores GABA apresentam grande afinidade por muitos medicamentos para a ansiedade e epilepsia, mas também são sensíveis à acção do álcool e de alguns cogumelos tóxicos. Influencia a qualidade do sono e, através dele, o crescimento.

Saúde!

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