Por Alice Santos

Dezembro é chegado e, com ele, o Natal. Mas o que é, afinal, o Natal? Para muitos é, sobretudo, a festa da família. É aquela altura do ano em que todos se juntam, independentemente da distância a que vivam. As casas, tantas vezes desavindas, na época natalícia transformam-se nos mais harmoniosos lares. Infelizmente, só dura uns dias, em muitos deles… Normalmente, não se poupam esforços para que as prendas sejam o melhor possível, sobretudo as das crianças. Mas e as outras crianças?!… As que não têm casa, nem família quanto mais um lar?!… A essas dedico estes versos e a vós desejo umas boas festas, em paz.

Sabes, menino

Sabes, menino
é Dezembro,
é Natal.
Na minha rua
já brilham as luzes,
a azáfama reina,
a fantasia impera,
a harmonia ecoa nos corações,
o amor habita os lares.
Mas para ti, menino,
não é Natal,
nem sequer sabes que é Dezembro,
nem sequer tens rua.
Pois não, menino?
Ou talvez seja o único bem que possuis.
A Rua.
É lá que brincas,
é lá que dormes,
é lá que sonhas,
é lá que enganas a fome,
é lá que vives a dor.
Tu, menino
sem casa,
sem família,
filho dum ventre vazio,
sem sons, sem cor,
gerado num mundo sem amor.
A ti, menino…
Se soubesse magia,
eu dava tudo,
dava um lar,
dava sorrisos,
dava amor.
Assim, menino
esquecido pelo mundo,
que tens no olhar o brilho das estrelas
e a luz do luar,
eu dou-te estes versos.
Talvez poema.
Sem nome.
Como tu, menino.

in Doces Loucuras: louvor aos sorrisos
Lavra Boletim de Poesia
2013

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