Por Satoshi Kanazawa [a]

Então, os homens gostam de mulheres que se parecem com louras espampanantes, ou com a Barbie, e as mulheres querem ter esse aspecto, porque cada uma das suas principais características (juventude [2], cabelo comprido [3], cintura fina [4], mamas grandes [5], cabelo loiro [6], olhos azuis [7] e grandes [8]) é um indicador da juventude e, portanto, de saúde, valor reprodutivo e fertilidade. Há uma lógica evolutiva precisa por trás da imagem do ideal de beleza feminina. Nesta altura, os leitores mais astutos, que tenham vindo a seguir os artigos desta colecção [9], poderão já ter notado a ironia de tudo isso. Nada do que eu disse nos artigos anteriores desta colecção é verdade nos dias de hoje.

Através de facelifts, perucas, lipoaspiração, mamoplastia de aumento, coloração do cabelo, lentes de contacto coloridas e cirurgia plástica, qualquer mulher — independentemente da idade — pode ter todas as características essenciais que definem o ideal de beleza feminina. Muito pouco da aparência da Pamela Anderson é natural. Uma mulher de quarenta anos de idade, hoje em dia, pode contar com a tecnologia moderna para continuar a parecer ter vinte anos de idade. A Farrah Fawcett, aos sessenta, tem melhor aspecto e parece mais jovem do que a maioria das mulheres «normais» com metade da sua idade.

E os homens apaixonam-se por elas. Como o Princípio da Savana («o cérebro humano tem dificuldade em compreender e lidar com entidades e situações que não existiam no ambiente ancestral») sugere, os cérebros dos homens não conseguem realmente identificar as mamas de silicone ou os cabelos pintados de loiro, porque essas coisas não existiam no ambiente ancestral, há dez mil anos. Os homens podem, cognitivamente e conscientemente, compreender que muitas mulheres loiras com mamas grandes e firmes não têm, na verdade, quinze anos, mas eles ainda as acham atraentes, porque os seus mecanismos psicológicos evolutivos são enganados pelas invenções modernas, que não existiam no ambiente ancestral.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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