Por Hugo Pinto de Abreu

Abriu-se um tempo novo na política portuguesa. Se será um tempo melhor, it remains to be seen.

Neste novo contexto, colocam-se novos desafios estratégicos ao governo, aos partidos que sustentam o governo e aos partidos da oposição.

Quanto ao governo, terá, em primeiro lugar, de desmontar a ideia de que o PS é «o partido da bancarrota», como lhe chamam alguns dos seus detractores. Assim, se os compromissos europeus e internacionais de Portugal forem sendo cumpridos, e se a República — e as empresas portuguesas — se continuar a financiar a taxas competitivas, então o governo e o PS terão ganho um importante reforço de credibilidade junto ao eleitorado de «centro».

Evidentemente, os «ultras» da direita portuguesa — os «observadores» — não deixarão de desvalorizar inteiramente a acção do governo, dizendo que qualquer hipotético sucesso se deve inteiramente a conjunturas externas ou alheias à acção governativa. Aliás, um pouco à semelhança da narrativa da esquerda ao atribuir a tímida recuperação económica que se verificou entre 2013 e 2015 à acção do Tribunal Constitucional: um verdadeiro conto de crianças!

Parece-me que, embora o novo governo não possa, nos âmbitos fiscal, financeiro e económico, fazer muito diferente do governo anterior, pode — e deve — ter outras ênfases e adoptar um discurso mais respeitador dos Portugueses e dos seus sacrifícios, sem esquecer a adopção de um discurso mobilizador, onde a esperança e o progresso individual e nacional, bem como a mobilidade social, estejam no centro das prioridades políticas. Pode fazer toda a diferença.

Anúncios